Xiaomi, líder de celular na China, põe Brasil na mira

A Xiaomi Corp. reafirmou a disposição da jovem empresa chinesa de tecnologia em levar seus telefones de baixo custo para o Brasil, Rússia e outros países do Sudeste Asiático. Sucesso de vendas na China, a companhia quer encontrar consumidores como o chinês Gong Huaipeng em outras partes do globo.
Gong, funcionário de uma usina de energia que vive na cidade de Jinan e tem 28 anos, já comprou todos os modelos de smartphone da Xiaomi desde que ela começou a vendê-los, há quatro anos. Ele estava em Pequim na semana passada para participar pela primeira vez de um evento de lançamento da empresa, no qual foi apresentado um aparelho maior, que parece ter como alvo o novo modelo do iPhone, da Apple Inc.
Para conseguir um dos 1.100 lugares disponibilizados para os fãs a um custo de US$ 16 cada, Gong grudou em seu computador esperando a venda dos ingressos começar. “Eu realmente admiro Lei por sua inovação”, diz Gong, referindo-se a Lei Jun, o fundador e presidente do conselho de administração da empresa. “Eu admiro a forma como ele pensa.”
A calorosa base de fãs chineses da Xiaomi ajudou a empresa a superar a Samsung, a Apple e outras rivais globais e se tornar a maior vendedora de smartphones da China, segundo a consultora de tecnologia IDC. O diretor-superintende da Xiaomi, Bin Lin, disse em entrevista ao The Wall Street Journal que a empresa pode replicar esse modelo em outros países, como Brasil e Rússia.
“Estamos muito felizes por termos pego carona na curva de crescimento dos smartphones na China”, diz ele. “Certamente, muitos países em desenvolvimento estão acompanhando o que aconteceu na China.”
A Xiaomi enfrenta uma série de desafios neste ano em sua campanha de expansão. No exterior, questões sobre patentes são um problema cada vez maior, à medida que a Xiaomi cresce. As vendas de smartphones da empresa foram temporariamente suspensas no mês passado na Índia devido a um caso de violação de patente aberto pela Ericsson, embora o embargo tenha sido suspenso depois. “A questão das patentes não vai desaparecer”, diz Lin. De acordo com o executivo, a Xiaomi entrou com 2.300 pedidos de aplicação de patentes em todo o mundo no ano passado e continuará voltada para a construção de seu portfólio de patentes.
Um segundo desafio é se a Xiaomi vai encontrar nos mercados internacionais o tipo de fãs devotados que gerou seu crescimento na China — fãs tão ardorosos que enviam presentes artesanais para Lei em datas comemorativas e ajudam a promover a empresa em fóruns públicos.
Li diz que acredita que a Xiaomi fará sucesso em outros mercados emergentes se ela continuar a oferecer preços baixos e a engajar os usuários nas redes sociais. A empresa também planeja investir em empresas jovens na Índia para auxiliar no crescimento lá.
“Nós não aumentamos a nossa base de fãs deliberadamente e, na verdade, você não consegue fazer isso”, diz ele. “Os fãs vêm por razões simples, e uma delas é que os produtos são muito atraentes.”
Na China, a Xiaomi precisará defender seu mercado porque as concorrentes começam a imitar seu modelo de vendas on-line.
A Xiaomi também dá crédito aos consumidores por seu sucesso, já que ela coleta entre eles feedback sobre a sua interface do usuário, a MIUI, que é atualizada semanalmente. O fórum on-line da Xiaomi tem cerca de 10 milhões de usuários registrados e 50 funcionários trabalham em tempo integral para atender às dúvidas dos consumidores apenas nas redes sociais, diz um porta-voz.

fonte

http://br.wsj.com/articles/SB10083468024828034148604580407930942368138