Startup que gela cerveja em minutos projeta faturar R$ 1 milhão no 1º ano

No verão que se avizinha, uma cerveja gelada pode fazer toda a diferença. E a startup gaúcha que criou um aparelho que gela a bebida em apenas dois minutos já projeta ganhar seu primeiro milhão, mesmo tendo começado as vendas há menos de um ano.

Sediada no Complexo Tecnológico da Unisinos (Unitec), em São Leopoldo, a Tridel já vendeu mais de 5 mil unidades do Super Cooler. O dispositivo tem um mecanismo semelhante ao de uma furadeira, mas, em vez de uma broca, tem um molde para encaixar latinhas e garrafas. Quando o conjunto é acomodado sobre o gelo, a rotação do recipiente acelera o resfriamento do líquido.

O sucesso nas vendas, iniciadas em dezembro de 2014, e as negociações para levar o Super Cooler a supermercados e lojas de conveniência deixam o coordenador de vendas e sócio-fundador Ricardo Gazzola, 26 anos, otimista. “Até agora, nosso faturamento é de R$ 500 mil. Projetamos chegar a R$ 1 milhão ainda em 2015, mesmo com as dificuldades da crise financeira. Temos propostas de parceria em aberto com grandes redes de varejo”, projeta

Para a mudança de patamar da empresa, estão em desenvolvimento novas estratégias de relacionamento com clientes. “Numa startup, cada centavo conta”, diz Rafael Schiavoni, 27 anos, diretor de marketing e também sócio-fundador, ao explicar o investimento nas mídias sociais.

“Estamos pensando em investir na gameficação. Pretendemos criar uma brincadeira com os usuários do Super Cooler, que tem o ‘dever’ de manter a cerveja gelada em um evento com os amigos. A ideia é usar o Instagram e distribuir prêmios”, adianta. Schiavoni ainda reforça a necessidade de agilidade no atendimento aos usuários. “Se gelamos a cerveja em dois minutos, temos que atender os clientes em dois minutos”.

O Super Cooler está à venda em diversas lojas especializadas em bebidas espalhadas pelo País. Interessados também podem adquirir o produto no site da empresa, por R$ 99. Com duas pilhas, pode gelar cerca de 100 latinhas de 350 ml.

super cooler cerveja garrafa RS (Foto: Rafael Schiavoni/Arquivo Pessoal)Aparelho também funciona com garrafas
(Foto: Rafael Schiavoni/Arquivo Pessoal)

Acusação de norte-americanos
No ano passado, os norte-americanos Trevor Abbott e Ty Parker, criadores do Spin Chill, produto semelhante que usa o mesmo processo de resfriamento, acusaram os brasileiros de plágio, denunciando-os ao Catarse – plataforma de financiamento coletivo usada pelo Super Cooler para tocar o projeto.

“O Catarse solicitou nossa defesa e apresentamos nossa documentação. A equipe jurídica deles constatou não haver nenhum problema. Tanto é que os norte-americanos não entraram com um processo. O registro da patente no Brasil é do Super Cooler. Tentaram ganhar no grito”, garante Gazzola.

“Infelizmente o governo brasileiro é extremamente corrupto e não nos permite levar adiante um processo judicial porque as leis de patente aí são muito diferentes das dos Estados Unidos e do resto do mundo”, argumenta Abbott. Segundo ele, os brasileiros teriam encomendado um Spin Chill – que hoje tem um revendedor no País – e descoberto seu funcionamento por meio de engenharia reversa. “Não temos muito o que fazer, a não ser trabalharmos duro e vender um produto melhor que o deles”, conclui Abbott.

Como é o processo de resfriamento
O Super Cooler é um dispositivo eletroeletrônico que força a troca de calor entre o recipiente e o ambiente. A lata ou garrafa é encaixada ao aparelho e colocada em contato com uma superfície de gelo. Por meio de um processo de convecção forçada, o recipiente é girado pelo Super Cooler, forçando a temperatura do líquido a se homogeneizar, o que acelera o resfriamento. Como a bebida não é agitada para cima e para baixo, somente rotacionada o líquido se mistura de maneira uniforme, não “explodindo” quando o recipiente é aberto.

super cooler cerveja RS (Foto: Rafael Schiavoni/Arquivo Pessoal)Rotação não agita a bebida, prevenindo “explosões” na abertura (Fotos: Rafael Schiavoni/Arquivo Pessoal)
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