Parcerias entre o governo dos EUA e empresas levam a 180 descobertas em 2013

O ministro da Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, apresentou ontem 180 descobertas científicas resultantes de pesquisas entre o Departamento de Agricultura (USDA) e a inciativa privada ao longo do último ano fiscal, encerrado em setembro de 2013.

 

Com características inovadoras e potencial de comercialização, as descobertas incluem desde um novo tipo de farinha feita a partir da semente da uva chadornay, que promete não elevar o colesterol, até embalagens antimicrobianas para estender a vida útil de alimentos, passando por técnicas para transformar grama cortada e folhas de árvores em bioenergia.

 

“Os estudos mostram que, a cada dólar investido em pesquisa agrícola, o retorno para a economia é de US$ 20. Nós aceleramos a comercialização da pesquisa federal e os pesquisadores do USDA estão trabalhando de perto com a iniciativa privada, de forma a desenvolver tecnologias para o mercado”, afirma Vilsack em comunicado divulgado pelo USDA.

 

Segundo o Relatório Anual de Transferência Tecnológica do USDA, 180 inovações foram desenvolvidas no exercício 2013 – ante 149 em 2010, 158 em 2011 e 160 em 2012. No ano fiscal passado, 147 descobertas científicas entraram com pedido de patente e outros 51 trabalhos do estoque do USDA registraram patentes.

 

Conforme o órgão, foram geradas, em 2013, um rendimento de US$ 3,356 milhões com inovações, resultado dentro da média anual registrada nos últimos anos.

 

O fluxo crescente de trabalhos científicos do USDA se tornou possível graças à Lei Federal de Transferência de Tecnologia, de 1986, que permitiu a parceria com a iniciativa privada – ampliando o número de pesquisadores e verba para os projetos – e que culminou em 259 acordos com universidades e empresas.

 

Como nos anos anteriores, os pesquisadores americanos voltaram seu foco a interesses públicos. A pressão das mudanças climáticas, por exemplo, geraram a pesquisa para a transformação de novas matérias-primas em bioenergia – no caso, os resíduos de grama cortada e as folhas de árvores caídas em centros urbanos – e um programa de computador voltado ao processo de ordenha do leite que consegue reduzir emissões de gases-estufa.

 

Vilsack citou, também, um novo método que transforma pneus usados em fertilizante de zinco e uma embalagem que, quando inserida em pequenos compartimentos para frutas, libera um vapor antimicrobiano que ajuda a postergar o processo de deterioração. Até os soldados americanos podem se beneficiar do USDA: os pesquisadores criaram um composto de enzimas que pode ser utilizado como inseticida para o combate de “moscas da areia”, que provocam uma doença comum que afeta tanto militares baseados no Iraque quanto centenas de milhares de crianças no continente africano.

 

Ao longo dos anos, as inovações produzidas a partir de pesquisas do USDA criaram diversos produtos utilizados no dia a dia americano. Entre os mais conhecidos está o suco de laranja concentrado congelado (FCOJ), a produção em massa da penicilina durante a Segunda Guerra Mundial e praticamente todas as variedades de amoras e mirtilos comercializadas hoje no mundo.

 

O USDA acredita que a renovação da lei agrícola americana este ano, a chamada “Farm Bill”, deverá contribuir ainda mais com as pesquisas científicas. A lei criou a Fundação para Pesquisa em Alimentos e Agricultura, que prevê aportes do governo de US$ 200 milhões e outros US$ 200 milhões da iniciativa privada.

 

O programa de transferência tecnológica americano é administrado pelo Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS, em inglês), principal braço de pesquisa do USDA.

fonte

http://www.valor.com.br/agro/3524754/parcerias-entre-o-governo-dos-eua-e-empresas-levam-180-descobertas-em-2013