KROTON ADQUIRE STARTUP DE TECNOLOGIA DA EDUCAÇÃO POR R$ 4,1 MILHÕES

A Kroton anunciou nesta segunda-feira (19/10) a aquisição da startup Studiarepor R$ 4,1 milhões. Fundada por Felipe Mattos e Murilo Andrade no Rio de Janeiro em 2013, a startup ganhou destaque por desenvolver um sistema de adaptive learning (ensino adaptativo), no qual algorítmos avaliam informações específicas sobre alunos para sugerir um conteúdo personalizado.  “A adaptive learning é pilar estratégico dentro do meio acadêmico. Ter esse conhecimento em casa é importante como diferencial competitivo”, disse Paulo de Tarso, vice-presidente de Inovação e Negócios da Kroton. É a primeira vez que a empresa adquire uma startup.

A aquisição é importante para a Kroton no sentido de incorporar tecnologias e não trabalhar com fornecedores. “A tecnologia aplicada à educação não é mais que a gente pode comprar de terceiros. A linha que divide educação e tecnologia está cada vez menor”, disse o CEO Rodrigo Galindo. Para o executivo, a Studiare pode ajudar a Kroton a garantir a customização do ensino, uma tendência no meio acadêmico num modelo de grande escala.

A parceria com a Studiare começou em 2013, como um projeto piloto, dentre os vários que a Kroton iniciou para testar provedores de tecnologia. “Quando começamos a implantar o KSL 2.0 [Kroton Learning System, modelo de ensino], começamos a rodar todos os provedores que encontramos. Foram 107 fornecedores em 12 países – desde pequenas startups nacionais e internacionais até empresas consolidadas. O projeto era testar desde novas aplicações de adaptive learning até Java e ferramentas para integrar melhor o sistema. No caso da Studiare, o projeto piloto ganhou relevância dentro da empresa”, segundo Galindo. “Passamos a oferecer o serviço em todas as instituições e agora ampliamos o contrato não só para ensino superior. Vamos entregar esse sistema para o projeto Trilha do Enem, ou seja para as escolas de educação básica e de ensino médio – públicas e privadas que estão incluídas”, disse.

A Kroton afirma que desenvolverá projetos além do ensino adaptativo com a Studiare para a incorporação de novas ferramentas de tecnologia de educação como gamefication e o método chamado de teoria de resposta ao item (TRI), que é utilizada para a correção da prova do Enem. Segundo Galindo, a Studiare continuará sendo uma startup dentro da Kroton e os fundadores serão executivos e acionistas.

Mas e o FIES?

As mudanças anunciadas pelo governo no programa de Financiamento Estudantil (FIES) no final do ano passado levaram as grandes redes de universidade privada do país a realizarem adaptações. Dentro da Kroton, o processo é descrito pelos executivos como uma “reinvenção”, que levou a revisões, novos planos e e revisão de gastos e custos em toda a estrutura organizacional.

Na semana passada, a empresa reportou os resultados do terceiro trimestre deste ano, anunciando queda de 6% na captação de novos alunos. Apesar disso, a companhia considerou o resultado sólido ao citar novas soluções de crédito e de captação que permitiram a um aumento de 4% na base total de alunos em relação ao mesmo período do ano passado. Entre as medidas anunciadas estão o Programa de Empréstimo Próprio (PEP), que atraiu 3,5 mil novos alunos e ofertas agressivas de bolsa em algumas regiões.

Para os próximos meses, a empresa afirma que irá trabalhar em novas soluções de crédito, na ampliação dos polos de ensino a distância (EAD) e no lançamento de cursos de maior valor agregado e mensalidade, como engenharia e na área de saúde. Uma das instituições que receberá esses cursos será a Anhanguera, onde a Kroton quer melhorar a variedade de graduações oferecidas.

A Kroton pretende abrir 100 novas unidades nos próximos cinco anos. Deste total, 44 já foram protocoladas pelo MEC. A empresa afirma que a previsão é realista e até conservadora considerando o cenário macroeconômico e as mudanças no modelo de financiamento estudantil. “Dependendo do cenário, mudamos a velocidade de abertura. Mas temos uma demanda principalmente no Norte e Nordeste que faz sentindo independente do FIES”, afirma Paulo de Tarso.

A empresa também intensificou a busca por novos negócios na área de educação básica, onde já atua por meio da Rede Pitágoras. Segundo Galindo, os estudos para adquirir novos sistemas de ensino foram iniciados em outubro de 2014. “Acho que vamos crescer mais em outros negócios no que no ensino superior nos próximos anos”, diz.

fonte

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2015/10/kroton-adquire-startup-de-tecnologia-da-educacao-por-r-41-milhoes.html