Apicultor que vendia mel ‘Gibson’ fala em alívio por ter desistido da marca

A mudança do nome da empresa de “Mel – Gibson” para “Apiário Gibson” salvou o empresário André Beck Bondioli, de 35 anos, de uma amarga ação judicial.

Ao contrário dele, uma pequena vendedora chilena que usou a imagem do ator do filme Coração Valente recebeu uma carta dos advogados de Mel Gibson, que contestaram o uso do nome e da imagem do artista, assim como possíveis medidas legais caso não retirasse o produto de circulação.

“É um alívio e dei graças a Deus que o meu mel não ficou famoso. Na verdade, quando eu era mais moleque me falaram: ‘E se o Mel Gibson vir?’. Primeiro, não achei que ele fosse encanar com isso”, conta.

Pouco antes de finalizar a produção em um sítio da família em Tapiraí, no interior de São Paulo, André optou por mudar o nome da empresa e nunca chegou a usar uma foto do ator de Hollywood.

“O nome foi minha mãe que teve a sacada entre amigos. Vários amigos me mandaram fotos sobre a empresa chilena, mas meu rótulo não tinha o rosto dele e depois mudei o nome para Apiário Gibson, para não falar que era ‘Mel Gibson’, mas também ‘Própolis – Gibson’, ‘Cera – Gibson’”, por exemplo, disse ao G1.

O empresário lembra que entrou no ramo por acaso no começo dos anos 2000, ainda na adolescência. Na época, um amigo do pai de André devia um valor e decidiu quitar a dívida pagando em caixas de abelhas.

“Meu pai aceitou e a gente começou o negócio. Eu tinha uns 15 anos e queria ganhar um dinheiro. Eu só estudava e no fim de semana ia lá trabalhar. Toquei o mel.”

A produção durou até 2016, quando faltava tempo para o apicultor por hobby. Enquanto manteve a apiário funcionando, o empresário viajava da capital até a cidade, que fica cerca de 160 quilômetros de distância.

“Chegava à noite e na loucura, porque não dava conta no fim de semana. A gente tentou manter o apiário com menos caixas e produção baixa, mas ficava difícil. Eu ficava cansado porque demanda muito o físico”, explica.