Adobe ingressa na área de equipamentos

Lápis e régua são ferramentas básicas da criação artística, mas o que fazer quando os profissionais da área tentam, desesperadamente, adaptar seu processo de trabalho ao mundo digital? Ofereça instrumentos que sejam ao mesmo tempo físicos e digitais. É isso o que a Adobe – a criadora do Photoshop e de outros softwares muito usados nos departamentos de arte – fará hoje ao lançar uma caneta e uma régua semelhantes às tradicionais, mas que funcionam sobre telas sensíveis ao toque, em vez do papel.
As novidades, batizadas de Adobe Ink (a caneta) e Adobe Slide (a régua), marcam a entrada da companhia americana no mercado de equipamentos e reforçam a mudança de rota que começou dois anos atrás, quando a empresa passou a migrar do modelo tradicional de venda de software, baseado em licenças, para o de assinaturas, pagas mensalmente como se fossem uma conta de água ou luz.
Os dispositivos têm preço sugerido de US$ 199,99 e, a princípio, serão vendidos apenas nos Estados Unidos. Não há previsão de chegada ao Brasil. Para impulsionar o uso dos aparelhos, a Adobe vai apresentar dois softwares – o Line, para fazer ilustrações, e o Sketch, para compor páginas e publicá-las, tudo a partir de aparelhos móveis, como tablets. “O modelo de trabalho mudou bastante e em vez de uma tela única, a do computador, o profissional hoje trabalha com muitos dispositivos e múltiplas telas”, diz Fabio Sambugaro, diretor-geral da Adobe no Brasil.
Com as inovações, a empresa também anuncia a atualização de 14 produtos de criação, na maior renovação dos últimos tempos. Os ciclos de atualização, que antes ocorriam em intervalos de 18 a 24 meses, foram reduzidos para seis meses, diz Sambugaro.
Esse ritmo mais rápido é parte do esforço da Adobe para acompanhar as mudanças tecnológicas e estimular o modelo da nuvem, uma tendência crescente no mercado de software. Os programas são baixados da internet, sem o pagamento de licença. Em vez disso, o usuário faz uma espécie de assinatura, pela qual recebe de graça as atualizações.
Na Adobe, o modelo tradicional e o da nuvem coexistiram quase dois anos, mas para a linha Creative Cloud – de produtos como Photoshop e InDesign, que formam a principal vitrine da empresa – a venda de licenças está praticamente encerrada. O ajuste demorou para dar tempo de as empresas clientes se adaptarem. “Comprar licenças é despesa de capital e pagar por um serviço é despesa operacional”, diz Sambugaro. Como as companhias fazem provisões específicas de orçamento, seria arriscado fazer mudanças no meio do caminho, afirma o executivo.
O pagamento parcelado ajuda a combater pirataria e a atrair um número potencialmente maior de usuários. A Adobe encerrou o segundo trimestre fiscal, em maio, com 2,308 milhões de assinaturas pagas no mundo, 464 mil a mais que no trimestre anterior. Da receita de US$ 1,07 bilhão registrada no período, 53% veio das receitas recorrentes dos serviços da nuvem, anunciou, ontem, a companhia.
A mudança de modelo exige, porém, um planejamento financeiro rigoroso, já que o fluxo de recursos passa a obedecer outro ritmo. A Adobe viu seu lucro líquido diminuir de US$ 833 milhões para US$ 290 milhões entre os anos fiscais 2012 e 2013. Agora, à medida que o número de assinantes aumenta, os ganhos estão se recompondo. No 2º trimestre deste ano, o lucro líquido chegou a US$ 88,5 milhões, ultrapassando a cifra de US$ 76,5 milhões de 2013.

fonte

http://www.valor.com.br/empresas/3587280/adobe-ingressa-na-area-de-equipamentos