A Origem das Marcas – Greenpeace

Pessoas dispostas a se colocar entre as baleias e os arpões de navios criminosos, navegar rumo a terras geladas para impedir a matança de bebês-foca, enfrentar grandes navios com pequenos botes infláveis para evitar o despejo de lixo tóxico e atômico nos oceanos, escalar chaminés industriais como alerta sobre os perigos da poluição atmosférica, ocupar plataformas petrolíferas para denunciar o aquecimento global, invadir madeireiras nos confins da Amazônia para questionar o desmatamento predatório. Esse é o espírito dos ativistas do GREENPEACE, uma das organizações mais importantes em defesa do meio ambiente. Suas ações, freqüentemente teatrais e arriscadas, são irresistíveis para a mídia, um dos objetivos centrais do grupo.
A história
A história do GREENPEACE começou em 1969, quando um teste nuclear americano em Amchitka havia gerado enorme controvérsia. A região – com uma das estruturas geológicas mais instáveis do planeta – é palco de freqüentes terremotos. No dia do teste – 2 de outubro de 1969 – dez mil pessoas, em protesto, bloquearam o maior posto de fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, carregando faixas que diziam: “Não faça onda”, referência aos maremotos que poderiam ser causados pelo teste. O governo americano desprezou os protestos e realizou o teste programado. Não houve terremotos ou maremotos, o único abalo foi provocado pelo anúncio de um novo teste no mesmo local, dois anos depois. O teste seria cinco vezes mais potente. Era preciso fazer algo mais, além de colocar faixas na fronteira, pensavam dois dos envolvidos nos protestos, Jim Bohlen e Irving Stowe.


O nova-iorquino Jim Bohlen era um ex-mergulhador e operador de radar da Marinha Americana durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1966, quando percebeu que o envolvimento norte-americano no Vietnã era irreversível, deixou a Marinha e mudou-se para Vancouver com a mulher, Maria. Lá, durante uma passeata contra a guerra, o casal conheceu Irving e Dorothy Stowe, que também havia abandonado os Estados Unidos por convicção religiosa, eram Quakers e profundamente antiviolência. Juntos com um jovem estudante de direito da Universidade da Colúmbia Britânica, Paul Cote, eles fundariam um movimento pacifista e ecologista – o “Comitê Não Faça Onda” – para lutar contra os testes nucleares americanos. Rapidamente descobriram que o nome não tinha grande apelo.
O nome da nova organização é fruto do acaso: isoladas, as palavras “green” e “peace”, que expressavam a idéia de pacifismo e defesa do meio ambiente que animava seus fundadores, não cabiam em um botton vendido para ajudar a arrecadar fundos para a viagem. Foi necessário juntá-las. Nascia o GREENPEACE. Os Quakers acreditam em uma forma de resistência pacífica – “bearing witness”, em inglês (a tradução mais próxima para isso seria “testemunha envolvida”). Foi inspirado nisso que os membros da organização decidiram alugar um barco para ir ao local previsto para o teste nuclear de 1971. Surgia assim a “ação direta”, que viria a ser a forma mais conhecida de atuação do GREENPEACE. Em 15 de setembro de 1971, este pequeno grupo de ecologistas e jornalistas, levantou âncora no porto da cidade de Vancouver, no Canadá, a bordo do “Phyllis Cormack”, um pequeno barco de pesca alugado, com apenas 24 metros de comprimento, que rumava para Amchitka, nas Ilhas Aleutas, no Pacífico Norte, local de mais um teste nuclear dos Estados Unidos. No mastro da embarcação tremulavam duas bandeiras: a da ONU – para marcar o internacionalismo da tripulação – e outra que unia as palavras “green” e “peace” em uma única idéia: a da defesa do meio ambiente e da paz a qualquer preço.


Ao zarpar, a tripulação do barco incluía alguns jornalistas, entre eles Robert Hunter, do jornal canadense The Vancouver Sun; Ben Metcalfe, da Canadian Broadcasting Corporation (CBC); Bob Cummings, repórter do Georgia Straight; Dave Birmingham, engenheiro; Richard Fineberg, cientista político; Terry Simmons, geógrafo; Dr. Lyle Thurston, médico; além do Capitão John Cormack; o fotógrafo Bob Keziere e os integrantes do GREENPEACE Jim Bohlen, Bill Darnell e Patrick Moore. Robert Hunter enfrentou a viagem lendo um livro sobre mitos e lendas indígenas. Um trecho do livro impressionou a tripulação. Narrava a previsão, feita 200 anos antes por uma velha índia Cree, chamada Olhos de Fogo, sobre o futuro do planeta: “Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris”. Foi deste trecho que saiu a expressão Guerreiros do Arco-Íris. Alguns anos depois, o nome “Guerreiro do Arco-Íris” (Rainbow Warrior) estaria orgulhosamente pintado no casco do mais famoso navio do GREENPEACE e terminaria por virar sinônimo de ativismo ambiental. O pequeno barco, porém não chegou a seu destino: em 20 de outubro, a tripulação foi presa pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, e expulsa da região.


Ao voltar para Vancouver, os pioneiros do GREENPEACE estavam nas manchetes de jornais em toda a América do Norte. O teste nuclear havia sido adiado em mais de um mês. Mas seria o último. Em 1979, sete países já tinham escritórios O GREENPEACE – e foi necessário criar uma instância internacional de decisão e supervisão. Nascia o GREENPEACE Internacional (GPI), sediado em Amsterdã na Holanda. Não demorou muito para se tornar à ONG mais conhecida e polêmica do planeta, lutando para a conservação do planeta, seu meio ambiente e por uma vida muito mais saudável. Além de combater os destruidores do meio ambiente, o GREENPEACE produz soluções: os pesquisadores da organização desenvolveram, por exemplo, geladeiras que não destroem a camada de ozônio (conhecido como “Greenfreeze”) e convenceram empresas a produzi-las; criaram um modelo de carro altamente econômico (conhecido como Smile); e promoveram fontes de energia limpa como a solar. O GREENPEACE utiliza um slogan que reflete sua verdadeira luta: “GREENPEACE existe porque esta frágil Terra merece uma voz. Precisa de soluções. Precisa de mudança. Precisa de ação”. –


Por décadas, o GREENPEACE foi visto como uma entidade que fazia muito barulho com pouca eficiência, se limitando a manifestações de rua e protestos em portas de fábricas. Mas essa situação mudou no momento em que a sustentabilidade passou a ser decisiva para as empresas. Antes vista como xiita e causadora de problemas, a entidade passou a ajudar empresas a se tornar sustentáveis. Essa preocupação fez com que a rede de restaurantes McDonald’s e a varejista Walmart procurarassem o Greenpeace, em 2007, em momentos diferentes, para que pudessem detectar os produtores que são capazes de provar, sem sombra de dúvida, a origem de sua soja e carnes. As recentes conquistas do GREENPEACE em parceria com as empresas são satisfatórias: em julho de 2008, a italiana Ferrero se tornou uma das grandes consumidoras de óleo de palma a cortar produtores da Indonésia de sua lista de fornecedores; em agosto de 2009, a fabricante de papéis Kimberly-Clark anunciou uma política de sustentabilidade considerada pelo GREENPEACE muito abrangente; em maio de 2010, a Nestlé concordou em parar de comprar óleo de palma de fonecedores que destroem florestas na Indonésia.


As ações
As campanhas, protestos e ações do GREENPEACE procuram atrair a atenção da mídia para assuntos urgentes e assim confrontar e constranger os que promovem agressões ao meio ambiente. Dessa forma o grupo conseguiu ao longo de sua história algumas importantes vitórias como o fim dos testes nucleares no Alasca e no Oceano Pacífico, o fechamento de um centro de testes nucleares americano, a proibição da importação de pele de morsa pela União Européia, a moratória à caça de baleias e a proteção da Antártida contra a mineração. No Brasil conseguiu vitórias principalmente na Amazônia, denunciando a extração ilegal de madeira da região.


Rainbow Warrior
No início de 1977, o GREENPEACE procurava um barco que pudesse ser usado contra navios baleeiros islandeses no Atlântico Norte e encontrou uma velha traineira encostada na Ilha dos Cães, em Londres. O “Sir William Hardy” foi o primeiro navio diesel-elétrico construído no Reino Unido, em 1955, e havia sido usado como barco de pesquisa pelo Ministério da Agricultura e Pesca da Inglaterra. Estava em péssimo estado, mas serviria. O único problema era o preço de 44 mil libras, muito dinheiro para a organização na época. Em oito meses de campanha de arrecadação de fundos, o GREENPEACE conseguiu juntar apenas 10% para a entrada. Faltava o resto, e o World Wildlife Fund (WWF) veio em socorro, com uma doação de 40 mil libras. Totalmente remodelado em três meses graças ao trabalho duro de dezenas de voluntários vindos de várias partes da Europa, o navio ganhou o nome de “Rainbow Warrior”. Era uma referência à profecia da índia Cree Olhos de Fogo, que havia impressionado os fundadores da organização ao prever a destruição do meio ambiente pela ação dos homens e o surgimento de uma raça de guerreiros defensores do planeta – os guerreiros do arco-íris (rainbow warriors, em inglês). No dia 29 de abril de 1978, pintado de verde, com um arco-íris na proa e ostentando orgulhosamente as bandeiras do GREENPEACE e das Nações Unidas – para caracterizar o internacionalismo de sua tripulação de 24 pessoas, o barco levantou âncora nas docas de Londres rumo à glória. Com seus 43,92 metros de comprimento e 8,42 de largura, defendeu o meio ambiente em campanhas memoráveis por sete anos – até ser bombardeado e afundado pelo serviço secreto francês em 1985, matando o fotógrafo português Fernando Pereira. As imagens do atentado podem ser vistas na figuras abaixo.



Em 1987, o GREENPEACE comprou uma nova embarcação, o “Grampian Fame”, e trocou seu nome para “Rainbow Warrior”. O novo “Rainbow Warrior” foi ao mar em Hamburgo em 10 de julho de 1989, após dois anos de reparos que o transformaram em uma embarcação própria para ações.


A frota
O GREENPEACE possui uma frota completamente equipada para atender as necessidades da organização, tanto para fazer protestos como pesquisas e projetos em qualquer região do planeta. Confira abaixo as fichas técnicas da frota verde.


RAINBOW WARRIOR
Porto de registro: Amsterdã, Holanda
Data de chegada: 1987

Construção: 1957 (Cochrane & Sons, Selby, UK)
Call sign: PC 8024
Peso: 555 toneladas
Velocidade máxima: 12 nós


ESPERANZA
Porto de registro: Amsterdã, Holanda
Data de chegada: 2000
Construção: 1984 (Poland Gdansk)
Call sign: PD 6464
Tipo de embarcação: expedição/pesquisa
Capacidade para Helicóptero: Sim
Peso: 2.076 toneladas
Velocidade máxima: 14 nós


ARTIC SUNRISE
Porto de registro: Amsterdã, Holanda
Data de chegada: 1995
Construção: 1975 (AS Vaagen Verft)
Call sign: PCTK
Peso: 949 toneladas
Velocidade máxima: 13 nós


ARGUS
Porto de registro: Roterdã, Holanda
Data de chegada: 2000

Construção: 1977 (Lunde, Suécia)
Call sign: PD 6464
Tipo de embarcação: patrulha
Velocidade máxima: 20.5 nós


BOTES
Nome técnico: RIBs (Rigid Inflatable Boats)
Data de chegada: utilizados desde 1975
Utilização: apoio
Casco: fibra de vidro ou alumínio
Motores: 1 ou 2
Obs: Responsáveis pelas ações mais famosas e espetaculares da organização


BALÃO
Capacidade: 3 pessoas (piloto + 2 passageiros)
Utilização: desde 1983

Autonomia: cerca de 2 horas (condições normais)
Utilização: imagens e documentação da poluição ambiental
Ações famosas: sobrevôo do muro de Berlin em 1983, sobre o Taj Mahal em 1998, para protestar contra os testes nucleares realizados pela Índia, e sobre as instalações do governo dos Estados Unidos de testes nucelares em Nevada no ano de 1987.



Recursos
O GREENPEACE não aceita doações de empresas, governos e partidos políticos para financiar suas atividades. Os recursos financeiros que sustentam suas atividades são provenientes da doação voluntária de pessoas físicas e de parte das vendas em suas lojas. Essas lojas, chamadas Espaço Greenpeace (Green Shop), divulga e comercializa a linha de produtos licenciados pela entidade, cuja produção não traz riscos ao meio ambiente ou tem baixo impacto ambiental. A estratégia é oferecer alternativas não poluentes aos consumidores. O licenciamento tem sido feito pelo GREENPEACE em alguns países – como o Brasil e a Alemanha – com o principal objetivo de promover a produção limpa, sinalizando para os consumidores a existência de produtos e serviços ecologicamente sustentáveis. Entre os mais de 200 produtos ecologicamente corretos à venda nas lojas, encontram-se materiais de papelaria (produzidos com papel 100% reciclado), linha têxtil completa, bolsas e acessórios, fabricados com tecido 100% algodão cru e tinto com corantes orgânicos, além de artesanatos, bijuterias, etc.


Dados corporativos
● Origem: Canadá
● Fundação: 1971
● Fundador: D. McTaggart, P. Watson, P.Morre & Cia.
● Sede mundial: Amsterdã
● Proprietário da marca: ONG (organização não governamental)
● Capital aberto: Não
● Chairman honorário: David McTaggart
● Diretor executivo: Dr. Gerd Leipold
● Arrecadação: US$ 600 milhões (estimado)
● Associados: 3.9 milhões
● Presença global: 43 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 175
● Segmento: ONG
● Principais produtos: Pesquisa, consultoria, tecnologia sustentável, defesa de interesses
● Ícones: Suas ações ousadas e o navio Rainbow Warrior
● Website: www.greenpeace.org
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A marca no Brasil
Às vésperas do início da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, ativistas do GREENPEACE chegaram ao Rio de Janeiro a bordo do navio Rainbow Warrior para participar do encontro. A embarcação e suas velas azuis fizeram sucesso no litoral carioca e, no dia 26 de abril de 1992 (aniversário da explosão da usina nuclear de Chernobyl), rumou para Angra dos Reis, onde 800 cruzes foram afixadas no pátio da usina nuclear local, simbolizando o número de mortes ocorrido no trágico acidente na Ucrânia. O evento marcou oficialmente a inauguração do GREENPEACE no Brasil. A participação no Brasil não se resume, no entanto, à preocupação com a escalada nuclear. A dilapidação dos recursos naturais da Amazônia, as mudanças climáticas, bem como a entrada dos transgênicos nos campos brasileiros e suas duvidosas conseqüências para o meio ambiente e saúde humana são temas com os quais a organização trabalha atualmente no Brasil. A organização tem mais de 70 pessoas trabalhando nos escritórios de São Paulo, Manaus e Brasília, 250 voluntários, 48 mil colaboradores e 300 mil ciberativistas.

A marca no mundo
O GREENPEACE, que tem sua sede principal em Amsterdã, possui escritórios em 43 regiões do planeta: Argentina, Australia-Pacific (Austrália, Fiji, Papua Nova-Guiné, Ilhas Salomões), Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, república Checa, França, Alemanha, Greenpeace Nordic (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia), Grécia, Greenpeace Central and Eastern Europe (Áustria, Hungria, Eslováquia, Polônia, Romênia, Bulgária, Eslovênia, Sérvia, Montenegro e Bósnia, India, Itália, Japão, Luxemburgo), Greenpeace Mediterranean (Israel, Chipre, Líbano, Malta, Tunísia, Turquia), México, Holanda, Greenpeace Aotearoa New Zealand (Nova Zelândia), Rússia, Greenpeace South-East Asia (Filipinas, Indonésia, Thailândia), Espanha, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos. O gráfico abaixo mostra a presença global da organização. A organização conta com aproximadamente 3.9 milhões de membros e 4.3 milhões de ciberativistas. O GREENPEACE atua internacionalmente em questões relacionadas à preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com campanhas dedicadas às áreas de florestas (Amazônia no Brasil), clima, nuclear, oceanos, engenharia genética, substâncias tóxicas e energia renovável.


Você Sabia?
● Em 1987, se tornou a primeira, e até agora, a única organização não-governamental a estabelecer uma base na Antártica.

– fonte