A Origem das Marcas – Carros – Parte II

 
Pegaso e Mazda inspiraram-se na mitologia; Subaru, em uma constelação; Pontiac,
em um
 chefe indígena; e a Audi surgiu da tradução do nome do fundador

 

O nome japonês para a constelação de Plêiades foi a inspiração para a Subaru, que pertence ao grupo Fuji Heavy Industries (FHI). SsangYong, marca sul-coreana, significa dragão duplo naquele idioma. Já Audi é uma tradução do nome do fundador August Horch. Depois de deixar sua empresa A. Horch & Cie. por desentendimentos com os sócios, o alemão abriu outra companhia — a Horch Automobil-Werke GmbH —, mas foi processado pelos antigos parceiros e condenado a deixar de usar o próprio nome. Horch então traduziu o termo, que significa “ouça”, para o latim e criou a marca que todos hoje conhecemos.

Há também os casos de fusões, de nomes compostos por duas ou mais palavras, bastante frequentes no Japão. É assim com Mitsubishi, formado por mitsu (três) e hishi, que passa para bishi ao se emendar a mitsu e se refere a uma planta aquática em forma de losango. Assim, a marca pode ser traduzida como três losangos ou três diamantes, vistos em seu logotipo. Outra fusão é Kia, que soma ki (sair, resultar) e a (em referência à Ásia), no sentido de uma empresa ganhar o mundo a partir daquele continente.

NIssan é uma contração das primeiras letras de Nippon Sangyo (indústrias japonesas), nome da empresa quando iniciada em 1928, e teve seu primeiro uso na bolsa de valores de Tóquio nos anos 30, sendo adotado na fabricação de automóveis em 1934. Outra marca do país, a Daihatsu (hoje sob controle da Toyota), vem da combinação do primeiro caractere japonês para a província de Õsaka e o início da expressão hatsudōki seizō, que significa construção de motores. Assim somadas, as palavras fazem com que õ seja lido como dai — Daihatsu.

 

 
Kia e Mitsubishi são combinações de nomes e letras; Nissan foi contração feita para a
bolsa de valores; Jeep tem origem discutida entre sigla e personagem de desenho

 

A também japonesa Datsun, marca que a Nissan deixou de usar em 1986 e agora relança em mercados emergentes, vem das iniciais dos sobrenomes de Kenjiro Den, Rokuro Aoyama e Meitaro Takeuchi, ou DAT, que denominaram o primeiro carro da empresa The Kwaishinsha Motor Car Works em 1914. Foi com o lançamento de um modelo compacto em 1931 que surgiu o nome Datson, ou “filho de DAT”. Quando a marca passou ao controle da Nissan, dois anos mais tarde, sugeriu-se mudar Datson para Datsun, pois son também significa perda em japonês.

 

A alemã DKW usou três significados para sua sigla em fases diferentes: carro movido a vapor, sonho de menino e a pequena maravilha

 

A marca Jeep, que começou como modelo da Willys-Overland, tem uma origem bastante controversa. Há quem acredite que veio da pronuncia em inglês da sigla GP, para General Purpose ou proposta de uso geral, em alusão ao caráter versátil do utilitário desenvolvido para a Segunda Guerra Mundial. Mas há quem negue essa possibilidade — afinal, era um veículo militar e não para quaisquer fins civis — e atribua ao esperto personagem Jeep, do desenho do marinheiro Popeye, a inspiração para que os soldados o apelidassem. O fato é que, embora jeep ou jipe seja há tempos uma designação genérica para esse tipo de veículo, a marca pertence desde 1950 à Willys e mais tarde passou a sua compradora, a Chrysler.

 

Siglas que não parecem

Há ainda nomes derivados de localidades. Dacia, a marca popular do grupo Renault, é também a antiga região que formou em parte a atual Romênia e em parte outros sete países. Isuzu vem do rio japonês de mesmo nome e JAC é Jianghuai Automobile Co., sendo Jianghuai uma região no centro da China. O batismo da inglesa Vauxhall, que vende produtos equivalentes aos da Opel alemã, origina-se da região homônima de Londres na qual foi fundada a Alex Wilson and Company, depois Vauxhall Iron Works.

 

 
Cidades, rios e antigas regiões são homenageados por marcas como as cinco mostradas

 

Outros casos são os da NSU (extinta marca alemã, famosa pelo uso do motor rotativo Wankel), forma abreviada da cidade de Neckarsulm, no sul do país; da Tatra (fábrica checa), que vem das montanhas que hoje ficam em território eslovaco; da Auburn (norte-americana), a cidade da empresa no estado de Indiana; da Volga (russa), pelo rio homônimo, o mais longo da Europa; e da Bristol, com o nome de uma cidade na Inglaterra.

O caso de outra britânica, a Aston Martin, é especial. Seu nome era Bamford & Martin ao ser fundada, em 1913, por Lionel Martin e Robert Bamford. O Aston vem de Aston Hill, a montanha junto à cidade de Aston Rowant na qual Martin disputou corridas, sendo adotado como designação de modelo pela primeira vez em 1921. Por sua vez, a antiga marca Hispano-Suiza refere-se à origem de duas nacionalidades, pois nasceu da associação do espanhol Emilio de la Cuadra ao engenheiro suíço Marc Birkigt. Outra divisão extinta da GM, a Saturn, só pode mesmo remeter ao planeta dos anéis.

 

Não poderiam faltar as siglas, algumas bastante conhecidas, como BMW (Bayerische Motoren Werke, fábrica de motores bávara, em alemão) e Fiat (Fabbrica Italiana Automobili Torino), e outras nem tanto, como Saab (Svenska Aeroplan AB, ou aktiebolaget, que significa aviões suecos limitada). A Seat, marca espanhola hoje nas mãos do grupo VW, nasceu em 1950 como SEAT, Sociedad Española de Automóviles de Turismo, e a inglesa MG vem de Morris Garages, a oficina do fundador William Morris.

Outra marca britânica, a dos esportivos TVR, surgiu como Trevcar Motors, fundada por Trevor Wilkinson, e adotou mais tarde as consoantes de seu primeiro nome como sigla. A holandesa DAF, criadora do câmbio de variação contínua (CVT), era Van Doorne’s Aanhangwagen Fabriek (fábrica de trailers de Van Doorne) antes de ser abreviada. Na GM, a divisão de utilitários, ônibus e caminhões GMC vem de General Motors Truck Company, nome que foi abreviado como GMC Truck e depois simplificado. A AutoVAZ russa, que produz os carros Lada, é sigla para Volzhsky Avtomobilny Zavod ou fábrica de automóveis do (rio) Volga.

 

 
BMW é sigla conhecida, mas Fiat e Saab soam bem como palavras; Alfa Romeo e
Aston Martin nasceram só com um dos nomes e a DKW usou três significados

 

Os franceses têm casos de siglas que, por sua boa sonoridade, parecem nomes de verdade. Facel, antiga marca de carros de luxo, significava Forges et Ateliers de Construction d’Eure-et-Loir (forjaria e instalações de construção do departamento de Eure-et-Loir). Simca, que chegou a produzir no Brasil, era a Société Industrielle de Mécanique et de Carrosserie Automobile ou sociedade industrial de mecânica e carroceria de automóveis. E Matra, fabricante de esportivos e utilitários, indicava suas diversas funções: Mecanique-Aviation-Traction.

A alemã DKW, que esteve no Brasil por meio da Vemag, tem a peculiaridade de ter usado três diferentes significados para sua sigla. Começou como Dampf-Kraft-Wagen, ou carro movido a vapor; passou a Des Knaben Wunsch, ou sonho de menino, ao desenhar um motor de brinquedo; e mais tarde a Das Kleine Wunder, a pequena maravilha, quando adotou uma versão desse motor em uma motocicleta.

Finalmente, uma carismática marca italiana consegue associar uma sigla a um sobrenome com sonoridade muito boa. Fundada em 1910 como ALFA — Anonima Lombarda Fabbrica Automobili —, ela passava após cinco anos à direção do empresário napolitano Nicola Romeo, que converteu a empresa para a produção militar durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1920, já em tempos de paz e pronta para voltar ao mercado de automóveis, a empresa mudava de nome: surgia a Alfa Romeo.

Veja a primeira parte deste artigo

fonte

http://bestcars.uol.com.br/bc/divirta-se/curiosidades/marcas-as-curiosas-origens-dos-nomes-dos-fabricantes-de-carros/2/