Supremo decide a favor da Marvel sobre patente de brinquedo do Homem-Aranha

Los Angeles (EUA), 22 jun (EFE).- A Suprema Corte dos Estados unidos decidiu nesta segunda-feira que o inventor de um brinquedo do Homem-Aranha não tem direito a receber mais compensações econômicas pela Marvel após expirar a data da patente. O brinquedo criado em 1991 por Stephen Kimble, que deve ser colocado no pulso e dispara fios de espuma, foi a base do popular “Web Blaster”, um dos brinquedos estrela da Marvel Enterprises.

A Marvel adquiriu a patente em 1997 em um acordo que previa pagar Kimble “indefinidamente”, mas desde 2010 decidiu interromper o pagamento baseada em um precedente que exonerava a companhia de desembolsar mais dinheiro depois da expiração da patente. A maioria das patentes são válidas por um período 20 anos.

Em 2013, o caso chegou ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito, que decidiu a favor da Marvel, baseado em precedente de 1964 -Brulotte v. Thys Co.-, que definiu que os titulares dos direitos sobre uma patente não têm direito de cobrar mais compensações econômicas quando vencido do registro dela. Kimble apelou contra essa decisão na Suprema Corte pela antiguidade do precedente, mas a decisão foi mantida por seis votos a favor e três contra. “Neste mundo, um grande poder traz uma grande responsabilidade”, disse a juíza Elena Kagan a respeito, adaptando uma das frases mais famosas dos quadrinhos da Marvel.

Por essa mesma razão, explicou, a corte não deveria desautorizar o precedente. Samuel Alito, um dos juízes que se mostraram contra a sentença, considerou que o precedente que previne o pagamento de royalties após a expiração de uma patente se baseia “em uma teoria econômica que, desde então, foi desacreditada”. Para Alito, o precedente “carece de base e é prejudicial”. Entre a venda da patente e 2010, Kimble recebeu mais de US$ 6 milhões da Marvel.

Para o advogado de Kimble, o precedente de mais de 50 anos “suprime a inovação e interfere com os objetivos do sistema de patentes”. EFE mg/cd

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http://beerre.com.br/supremo-decide-a-favor-da-marvel-sobre-patente-de-brinquedo-do-homem-aranha/

Adolescentes criam preservativo que muda de cor para detectar DSTs

Estudantes de Londres criaram um preservativo que muda de cor quando detecta doenças sexualmente transmissíveis. O protótipo foi pensado para participar do prêmio Teen Tech, que incentiva adolescentes a seguirem carreira em Ciência, Engenharia e Tecnologia.

O chamado S.T.EYE possui uma camada embutida de moléculas que se ligam às bactérias e vírus associados às infecções sexualmente transmissíveis mais comuns, fazendo com que o preservativo mude de cor.

A cor verde indica clamídia, amarelo é sinal de herpes, roxo constitui a presença do papilomavírus humano que causa verrugas genitais e azul marca a presença de sífilis, explicaram os criadores Chirag Shah, de 14 anos, Daanyaal Ali, de 14 anos e Muaz Nawaz, de 13 anos.

Ao jornal Daily Mail, Ali disse que espera que o preservativo torne as pessoas mais conscientes sobre as doenças sexualmente transmissíveis e mais dispostas a procurar tratamento caso possuam alguma delas.

“Nós queríamos criar algo que deixasse a detecção de DSTs mais segura do que nunca, assim as pessoas podem tomar medidas imediatas na privacidade de suas próprias casas, sem os procedimentos invasivos dos médicos”, disse ele. O S.T.EYE ganhou o primeiro lugar na categoria “Saúde” do Teen Tech.

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http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2015/06/adolescentes-criam-preservativo-que-muda-de-cor-para-detectar-dsts.shtml

Brasileiro cria “banho infinito” que gasta apenas 10 litros de água

A hora do banho pode ser um dilema para quem vive em regiões afetadas pela seca: a ducha mais demorada aumenta o risco de ficar sem água no futuro e o banho mais rápido não traz tanto conforto. Uma novidade criada por um empreendedor brasileiro promete “banhos infinitos” e pouco desperdício: o Showeair, um chuveiro que usa apenas 10 litros de água.

Showeair custará pelo menos R$ 8 mil (Foto: Divulgação)

Criado pelo engenheiro mecatrônico paulista Pedro Ricardo Paulino, o Showeair tem uma bomba que faz com que a água que cai reabasteça o chuveiro. O equipamento ainda tem um sistema esterilizador, que usa raios ultravioleta e ozônio para a retirada do sabão e das impurezas do banho.

Como a água que circula pelo Showeair já foi aquecida na primeira passagem pelo sistema, os gastos com energia elétrica também são menores. De acordo com o fabricante, a economia estimada é de, em média, 70%.

O Showeair é a segunda invenção interessante de Paulino. Ele também é o criador da Wateair, uma máquina que produz água a partir do ar.

Infelizmente, a solução ainda é cara. O aparelho, ainda sem previsão de lançamento comercial, custará, no mínimo, R$ 8 mil.

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http://revistapegn.globo.com/Banco-de-ideias/noticia/2015/05/brasileiro-cria-banho-infinito-que-gasta-apenas-10-litros-de-agua.html

As invenções mais peculiares que nunca ganharam vida

Uma coleção de patentes históricas que nunca viram a luz do dia foi agora disponibilizada online. Os aspirantes a inventores do século XX previram, por exemplo, que as galinhas usariam proteção nos olhos contra as bicadas de outras galinhas.

Várias patentes elaboradas e criativas entregues ao Gabinete de Patentes e Marcas dos EUA entre 1871 e 1933 foram agora disponibilizadas publicamente pela Science Photo Library.

As propriedades intelectuais em causa atingem todas as áreas da sociedade do século XX, desde um dispositivo desenhado para lavar a jato os seios das mulheres, a um fato de banho de cortiça que permitira flutuar na água.

Os criadores mais cautelosos projetaram muitas estruturas para enganar a morte, incluindo uma máscara de fumo que permitiria às pessoas sobreviverem dentro de um edifício cheio de fumo. Na lista também está um paraquedas preso à cabeça do utilizador e sapatos de borracha para amortecer a aterragem em caso de emergência.

E em caso de a pessoa ter sido enterrada viva, foi registada uma ideia para um dispositivo que servia para alertar caso uma pessoa fosse enterrada.

Mas muitas outras patentes peculiares foram agora disponibilizadas, como um garfo desenhado para agarrar os alimentos mais difíceis e um submarino desenhado para se conseguir mover sobre rodas no fundo do mar.

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Samsung está deixando a Apple comendo poeira em números de patentes registradas

Como todos sabem Apple e Samsung continuam se enfrentando em vários tribunais, e a base de tantos processos são patentes registradas por ambas as empresas. Por mais polêmico que possa ser o sistema de patentes atual, é assim que as coisas funcionam.

Na tentativa de estabelecer quais empresas têm “inovado” mais (considerando que registros de novas patentes = empresa inovadora), a Sqoop compilou um ranking o qual as classifica pelo número de patentes registradas desde o começo do ano.

E veja só: a IBM lidera com 3.059 patentes, seguida de perto pela Samsung1 com 3.052. Em terceira, mas já distante, aparece a Canon com 1.782. A Apple está somente na 11ª posição, com 780 patentes registradas em 2015.

Já em novos pedidos de registro a Samsung está no topo com 2.487, seguida por IBM (1.764) e Toshiba (989). A Apple está em 23ª, com 279 solicitações.

Não dá para falar muito sobre a diversidade/qualidade dessas patentes, mas a Samsung claramente está fazendo de tudo para se “armar” contra Apple e outras possíveis adversárias em tribunais.

 

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https://macmagazine.com.br/2015/06/12/samsung-esta-deixando-a-apple-comendo-poeira-em-numeros-de-patentes-registradas/

A origem das Marcas – Hellmann’s

Responda sem pensar: qual é a verdadeira maionese? Quer seja na mesa de jantar, em um churrasco, piquenique ou em um lanche rápido, dificilmente não veremos um tradicional pote com um rótulo azul imitando uma fita da maionese HELLMANN’S. Não somente a marca, mas principalmente o produto, se tornou tão indispensável para dar mais gosto, textura e prazer nas refeições. Na pizza, sanduíche, pão ou com batata frita ela é a companheira inseparável em muitas mesas pelo mundo afora e indispensável para milhares de paladares. Por isso hoje, a HELLMANN’S oferece uma oferta diversificada de molhos frios, que satisfazem as necessidades de qualquer consumidor, com sabores intensos e deliciosos.
A história
A maionese foi inventada por um francês que era chef de cozinha do Duque de Richelieu em 1856. Quando, no início da Guerra dos Sete Anos, o duque derrotou os ingleses no porto Mahon, capital da ilha de Minorca, na Espanha, seu chefe de cozinha criou um creme feito à base de creme de ovos para ser servido na festa da vitória. Quando o chef percebeu que não havia mais creme na cozinha, improvisou, substituindo-o por óleo. O novo creme foi batizado de “Mahonnaise” em homenagem a vitória do duque na batalha do porto Mahon. Porém a história da marca mais famosa de maionese do mundo começou em 1903, quando o imigrante alemão Richard Hellman chegou aos Estados Unidos e em 1905, abriu uma pequena delicatéssen na cidade de Nova York em plena Columbus Avenue, onde vendia produtos artesanais e guloseimas, como por exemplo, as saladas guarnecidas com o molho “maionese” preparado por sua mulher.

 

 

A maionese tornou-se tão popular que passou a ser vendida em potes, acondicionados em caixas de madeira, para ser usada como manteiga. Em pouco tempo, o comerciante já estava atendendo outros fornecedores com seu produto embalado em frascos de vidro. Inicialmente, Hellmann vendeu duas versões da receita, e para diferencia-las, enrolou uma fita azul no pote de uma delas. A demanda pelos potes com a fita azul, conhecida como “a maionese do laço azul”, era tão grande que no dia 1 de setembro de 1912, Hellmann idealizou uma etiqueta azul para colar no pote, muito semelhante ao logotipo atual. Este ano ficou oficialmente conhecido como o lançamento da tradicional maionese, introduzida no mercado com o nome de Hellmann’s Blue Ribbon Mayonnaise.

 

 

O sucesso foi tão grande que a maionese passou a ser produzida em pequenas fábricas e distribuída por uma frota de caminhões. A partir desta época a fabricação caseira e as entregas, feitas em carrinhos de mão e bicicletas, chegava ao fim. Essa nova fase determinou passos mais arrojados como a produção industrial da maionese da fita azul e a expansão dos negócios da empresa Richard Hellmann Inc. para outras regiões dos Estados Unidos. Ao que tudo indica o nome HELLMAN’S só começou a ser utilizado como marca registrada de maionese em 1926. Ainda na década de 20 foram introduzidas as maioneses com sabores, como por exemplo, Tartar Sauce e a Sandwich Spread. Ao mesmo tempo em que a maionese HELLMANN’S ganhava popularidade no leste americano, a Best Food, uma das maiores empresas americanas da área de alimentos, lançou um produto semelhante com o nome mayonnaise na costa ocidental, especialmente na Califórnia. A competição entre as duas marcas culminou, em 1932, com a compra da empresa Richard Hellmann Inc. pela Best Food, que seria incorporada ao grupo Unilever em 2000. A empresa Best Foods resolveu manter as duas marcas no mercado, cada uma atuando em regiões diferentes dentro dos Estados Unidos. Hoje em dia a marca HELLMAN’S é utilizada no leste americano, América Latina, Oriente Médio, Europa e Canadá e Best Food no oeste americano, Austrália e Nova Zelândia.

 

 

Não demorou muito para a maionese HELLMANN’S se tornar um grande sucesso em todo território americano. Com isso, em 1936, foi adotada a designação “Verdadeira Maionese”. Nas décadas seguintes a marca iniciou sua expansão internacional. No ano de 1961 o produto foi lançado na Inglaterra, onde se tornou líder de mercado, posição sustentada também no Brasil (onde desembarcou em 1962 através da empresa Refinações de Milho Brasil) e Estados Unidos. Nos anos seguintes expandiu sua linha de maionese, com a adição da versão light e sem colesterol (cuja fórmula substituiu a gema pela clara de ovos, colaborando com a redução dos riscos de doenças cardiovasculares) na década de 80, além de acrescentar em sua gama de produtos muitas novidades, como mostradas e ketchups. Além disso, nesta época a dieta leve priorizava as saladas. Nada mais oportuno, então, do que introduzir também uma linha de molhos prontos para incrementá-las., que rapidamente se tornou um enorme sucesso.

 

 

Em 2000, a marca foi adquirida pela empresa Unilever e continuou seu crescimento global, amparada na estrutura de uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Nesta época a preocupação generalizada com a qualidade de vida somente aumentava. A manutenção da saúde começava a ser meta prioritária para maioria das pessoas e os preceitos para uma vida longa e saudável recomendavam uma nutrição balanceada. A marca HELLMANN’Ss evoluiu nesse sentido, criando produtos com a quantidade de óleo cada vez mais reduzida, sem que isso resultasse em perda do sabor. Seguindo a tendência de mercado por alimentos mais saudáveis, responsabilidade social e preocupação com a preservação do meio ambiente, em 2008, a HELLMANN’S anunciou que a partir do mês de fevereiro, utilizaria apenas ovos “free-range” (de galinhas criadas livremente, sem gaiolas) na produção de sua maionese comercializada na Europa. Mantendo a qualidade do produto e ao mesmo tempo promovendo o bem-estar às poedeiras das granjas, esta prática foi recentemente adotada também para o mercado americano.

 

 

A linha do tempo
1980
● Lançamento do balde de 5 litros de maionese, exclusivamente direcionado aos estabelecimentos comerciais.
1985
● Lançamento da maionese HELLMANN’S LOW FAT (com baixa quantidade de gordura).
1992
● Resolve apostar na diversificação da marca HELLMANN’S com o lançamento da DIJONNAISE CREAMY MUSTARD BLEND, uma maionese misturada com mostarda extremamente cremosa.
1997
● Lançamento de uma linha de molhos prontos para saladas.
2000
● A linha de mostarda foi ampliada com a introdução da HONEY MUSTARD (mostarda com mel) e DELI MUSTARD (mostarda marrom com raiz forte).
2002
● Lançamento da maionese com limão (HELLMANN’S LIME JUICE), que se tornou muito popular entre os consumidores hispânicos.
● Lançamento de uma linha de maionese light com sabores de bacon e tomate (Bacon & Tomato Twist), alho (Garlic Paradise) e ervas (Herb Sensation).
2003
● Lançamento dos molhos para saladas HELLMANN’S DIPPIN’ SAUCES nos sabores Rockin’ Ranch, Honey Mustard Madness (mostarda com mel) e Totally BBQ (sabor churrasco).
2006
● Lançamento da maionese HELLMANN’S CANOLA CHOLESTEROL FREE, feita com óleo de canola e enriquecida com Omega 3, e totalmente livre de colesterol. O novo produto foi introduzido com o slogan “All the great of taste of Hellmann’s”.
2008
● Lançamento da maionese com azeite de oliva.
2010
● Lançamento no Brasil da HELLMANN’S SUPREME, primeira maionese premium do mercado. A novidade tinha receita exclusiva, garantindo assim uma maionese mais cremosa e com consistência mais firme, além de sabor mais suave e envolvente do que as versões tradicionais da categoria. O sabor apurado de Supreme era fruto de sua formulação especial: levava mais óleo na receita (50%) dos ingredientes totais, enquanto HELLMANN’S regular continha apenas 32%, fazendo com que o balanceamento de ingredientes resultasse em um sabor mais sutil ao paladar.
2011
● Lançamento no mercado americano da primeira maionese com sabor em edição limitada: Mediterranean Garlic.
2012
● Lançamento de dois sabores de maioneses em edição limitada: Spicy Buffalo e Southwestern Ranch.

 

 

A evolução visual
Ao longo dos anos o tradicional logotipo com o laço azul da marca HELLMANN’S mudou muito pouco como podemos ver na imagem abaixo. A principal modificação ocorreu com o tradicional ícone da marca, o laço azul, que passou para baixo da palavra HELLMANN’S. Além disso, a atual identidade visual da marca ficou mais “clean”.

 

 

Em 2012 a marca HELLMANN’S completou oficialmente 100 anos. Para comemorar tal data a marca adotou, por um período limitado, uma identidade visual onde o tradicional “laço azul” tinha enorme destaque.

 

Os slogans
Bring out the best.
Bring out the Hellman’s and bring out the best.
Every sandwich wants Hellmann’s.
Keep it real.
It’s Time for Real. (2007)
A verdadeira maionese. (Brasil)
Se faltar Hellmann’s, grite. (1996)
Quando não tem Hellmann’s o sabor vai embora, com Hellmann’s o sabor aparece. (1986)
Haz una cara…Hellmann’s! (mercados hispânicos)

 

Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Lançamento: 1912
● Criador: Richard Hellmann
● Sede mundial: Londres, Inglaterra e Roterdã, Holanda
● Proprietário da marca: Unilever N.V.
● Capital aberto: Não
● Chairman: Michael Treschow
● CEO: Paul Polman
● Faturamento: US$ 2.5 bilhões (estimado)
● Lucro: Não divulgado
● Presença global: 100 países
● Presença no Brasil: Sim
● Maiores mercados: Estados Unidos, França, Brasil, Inglaterra e México
● Segmento: Alimentação
● Principais produtos: Maionese, molhos para salada, mostarda e ketchup
● Concorrentes diretos: Heinz, Kraft, Liza e Arisco (Brasil)
● Ícones: O tradicional laço azul
● Slogan: Bring out the best.
A marca no Brasil
Através da empresa Refinações de Milho Brasil a HELLMANN’S chega ao país em 1962 como a primeira maionese industrializada do mercado. As ações de propaganda e marketing tiveram papel decisivo na aceitação do produto pelos consumidores brasileiros, que demonstravam pouca disposição para incluir os alimentos prontos em sua dieta naquela época. Além disso, as donas de casa estavam pouco acostumadas ao uso desse condimento. Afinal, maionese era a salada de batata ou a salada russa, e não o molho. Para isso utilizou argumentos: não corria o risco de desandar, economizava trabalho e podia ser conservada no próprio vidro, por muito mais tempo, na geladeira. As campanhas também procuravam divulgar novos modos de consumir o produto, além de na convencional salada de batata, incentivando a dona de casa a criar, como no slogan: “Sua imaginação e maionese Hellmann’s fazem delícias”. Para reforçar o convite à criatividade culinária, fotografias com pratos decorados e folhetos com receitas, como por exemplo, canapés e sanduíches frios, foram distribuídos gratuitamente e fizeram enorme sucesso. Dois anos depois foi introduzido o pote de 500 gramas em uma tentativa de estimular o consumo de maionese.

 

 

Uma questão decisiva pesou na conquista dos consumidores brasileiros: a confiança na qualidade do produto. Mais do que facilitar a vida na cozinha, a maionese industrializada reduzia consideravelmente o risco de intoxicação alimentar, muito frequente no consumo da versão caseira. E esse cuidado sempre esteve presente nas iniciativas da marca. Nos anos seguintes a marca introduziu inúmeras inovações como: a maionese temperada com limão e a embalagem de 1 kg (1975); o selo de vedação, que tornava a embalagem inviolável e muito mais segura (1985); uma mistura para preparar patês que deveria ser diluída com água ou leite e a maionese da marca conhecida como HELLMAN’S MIX (1989); a maionese regular em bisnaga de 250 gramas (1990); a maionese light, com metade das calorias da versão normal (1990); os molhos prontos para saladas (1992); as embalagens em saches (1993); as embalagens flexíveis com bico dosador (1998); as maioneses com sabores, como Atum, Azeitona, Tártaro e Tomate Seco (2000); a linha de ketchup e mostarda (2002); maionese com 0% de colesterol (2005); a HELLMANN’S Hot (sabor ardente de pimenta vermelha) e HELLMANN’S Fresh (sabor de ervas, alho e cebola), em 2005; os molhos para saladas na versão light e o HELLMANN’S PIC 3 em 1, molho que unia o sabor de mostarda, ketchup e maionese (2006); a maionese enriquecida com Omega 3, o molho para salada no sabor Balsâmico e a linha sabores especiais, manjericão, queijo e iogurte com toque de hortelã, todos introduzidos em 2007; HELLMANN’S DELEITE, a primeira maionese a base de leite do mundo (2008); e as novas edições limitadas de maionese light, nos sabores Filé Grelhado e Cebola e Alho (2009).

 

 

Pelo seu pioneirismo, a marca tem com as consumidoras brasileiras um forte vínculo emocional, sendo quase um sinônimo de categoria. Este pioneirismo pode ser comprovado em 1985: somente tampas metálicas de rosca fechavam os potes de vidro das maioneses brasileiras até então; foi quando a empresa, seguindo uma tendência internacional, decidiu adotar selos de vedação para reforçar a proteção e segurança, e aumentar consideravelmente a vida de prateleira da maionese HELLMANN’S. Ou em 1997 quando as embalagens de vidro da maionese foram modificadas, com o aumento do diâmetro da boca do frasco, o que permite a retirada de porções com a colher de sopa. Além disso, em 2004 substituiu as tradicionais embalagens de vidro pelas de PET, inquebrável e reciclável.

 

 

Em 2012, HELLMANN’S comemorou 50 anos de lançamento no Brasil. A campanha de celebração da data, “Há 50 anos fazendo do Brasil um país mais gostoso”, destacava a presença do produto em momentos de alegria, de lazer e de festas. Ao longo de todos esses anos nas campanhas e em todas as ações nos pontos de venda, HELLMANN’S busca comunicar suas mensagens de uma maneira que reforce essa identidade da marca. HELLMANN’S é realmente identificada pelas consumidoras como “A Verdadeira Maionese”. A maionese HELLMANN’S tem penetração de 51% o que representa mais de 22 milhões de lares brasileiros.

 

 

A marca no mundo
A marca HELLMANN’S, presente em mais de 100 mercados diferentes ao redor do planeta, é a mais consumida em sua categoria, gerando vendas anuais superiores a US$ 2.5 bilhões. Atualmente a marca oferece uma grande linha de produtos que abrange desde maioneses, ketchup e mostardas a molhos para saladas. Os cinco maiores mercados da marca são Estados Unidos, França, Brasil, Inglaterra e México.
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A Origem das Marcas – Harley-Davidson

O sucesso da HARLEY-DAVIDSON se deu porque ela é a encarnação sobre rodas. Afinal, representa revolta, liberdade e bandidagem no bom sentido. A esmagadora maioria de seus clientes compra seu produto pelo conceito de rebeldia e liberdade, na forma de uma motocicleta. É a única marca que conseguiu criar um nível de fidelidade tão alto entre seus consumidores que alguns deles chegam a tatuar seu logotipo em alguma parte do corpo. Hoje a marca é um ícone americano, uma lenda, objeto de desejo e também símbolo de status. “Harley-Davidson não é uma motocicleta – é um estilo de vida”.
A história
Foi de um simples barracão, com três metros de largura por nove metros de comprimento, e em cuja fachada podia se ler o letreiro “Harley-Davidson Motor Company”, localizado nos fundos da casa dos jovens irmãos Arthur e Walter Davidson, na pacata cidade de Milwaukee, estado americano de Wisconsin, que no dia 28 de abril de 1903 foram produzidas as primeiras três motocicletas da marca. Na verdade uma espécie de bicicleta reforçada com motor de 3hp, batizada com o sobrenome dos seus criadores: o desenhista William S. Harley e o engenheiro Arthur Davidson, dois jovens colegas de universidade e amigos de infância, que enfrentaram o desafio de colocar um sonho em pé; em pé e rodando; rodando e encantando; encantando e apaixonando. Na verdade, o sonho deles era apenas construir artesanalmente um pequeno modelo de motocicleta destinado às competições; mas se empenharam com tanto amor e comprometimento que mais do que realizar um sonho e construir uma motocicleta, eles criaram, de verdade, uma mística. Como o veículo se mostrou bom, eles construíram mais dois exemplares. Dessas três motocicletas, uma foi vendida por US$ 200 diretamente pelos fundadores da empresa para Henry Meyer, um amigo pessoal deles.

 

 

Em Chicago, a primeira concessionária nomeada pela marca, C. H. Lang, comercializou outra das três motocicletas fabricadas. Os negócios começavam a evoluir, mas em um ritmo lento. No entanto, no dia 4 de julho de 1905, uma motocicleta HARLEY-DAVIDSON venceu, em Chicago, sua primeira competição, uma corrida de 15 milhas – e isso ajudou a alavancar ainda mais as vendas da jovem empresa. Enquanto isso, na cidade de Milwaukee, o primeiro trabalhador da empresa foi contratado em tempo integral. Com as vendas em ascensão e depois de conseguir um empréstimo bancário, os jovens empreendedores decidiram abandonar as acanhadas instalações iniciais e se instalaram em um armazém muito maior, com melhores condições de trabalho, localizado no centro da cidade. Mais cinco funcionários foram contratados para trabalhar lá em tempo integral. Assim, em 1906, teve início oficialmente a produção de motocicletas carinhosamente apelidadas de Silent Gray Fellow. O nome provinha de Silent (Silenciosa) devido à condução suave que os amortecedores proporcionavam, Gray (cinzenta) pela sua austera pintura e única cor disponível, e Fellow (amiga), que sugeria uma amizade entre o homem e a máquina, pois a motocicleta ganhou reputação de ser uma companheira confiável na estrada.

 

 

Ainda em 1906 a marca produziu o seu primeiro catálogo promocional. O nome HARLEY-DAVIDSON MOTOR COMPANY foi adotado oficialmente no dia 17 de setembro de 1907. Foi também neste mesmo ano, sob a presidência de Walter Davidson, irmão de Arthur, que uma motocicleta HD foi inscrita na primeira corrida organizada pela recém-criada Federação Motociclista Americana. A experiência se mostrou um sucesso estrondoso, pois o próprio Walter bateu os oitenta competidores, que representavam pelo menos vinte marcas diferentes.

 

 

Em 1909, a marca apresentou a sua primeira grande evolução tecnológica no mercado de duas rodas: o lendário motor V-Twin, com dois cilindros em “V”, inclinação de 45º e capaz de desenvolver 7cv – uma potência considerável para aquela época. A fabricação desses motores era simples e muitas outras empresas o adotaram. O design foi um sucesso e passou a ser o motor clássico da marca. Cerca de 1.100 unidades da motocicleta HARLEY-DAVIDSON V-8 foram vendidas. Em 1912, foi iniciada a construção definitiva da fábrica localizada na Avenida Juneau, centro da cidade de Milwaukee, e inaugurada uma área exclusiva de peças para reposição e acessórios. A primeira exportação de suas motocicletas ocorreu ainda nesse ano para o Japão. Nesta época a empresa já possuía 200 concessionárias autorizadas espalhadas pelos Estados Unidos. Em 1916, o presidente dos Estados Unidos enviou seu principal general em cima de uma HARLEY-DAVIDSON para acabar com as estrepolias de Pancho Villa na fronteira mexicana.

 

 

Antes de cair nas graças dos estradeiros, a HARLEY-DAVIDSON foi usada como meio de transporte na Primeira Guerra Mundial. Algumas delas eram equipadas com “sidecars” tão sofisticados que possuíam armas automáticas acopladas. Durante o conflito, a empresa recebeu do exército americano uma encomenda de aproximadamente 20 mil unidades. Um soldado americano, o cabo Roy Holtz, pilotando uma HARLEY-DAVIDSON equipada com sidecar foi o primeiro a entrar em território alemão, um dia após a assinatura do armistício. Em 1920, a HARLEY-DAVIDSON já era a maior fabricante de motocicletas do mundo, possuindo concessionárias em 67 países e uma produção superior a 28.000 unidades. Além disso, a equipe de corrida da HARLEY-DAVIDSON, que já era conhecida como “The Wrecking Crew” (“Equipe de Demolição”), se tornou tão dominante nas pistas americanas, daí a origem do nome, que adotou um pequeno porco como sua mascote. Assim que a paz se estabeleceu definitivamente, a marca voltou às pistas em 1921, e se tornou a primeira equipe a vencer uma prova de velocidade a mais de 100 milhas por hora. Nesta década a empresa introduziu muitas inovações, como por exemplo, em 1925, com o tanque de combustível em forma de gota de lágrima (antes era achatado), conhecido como “Teardrop”, que se tornou marca registrada da HARLEY-DAVIDSON, além de freio na roda dianteira.

 

 

A primeira ameaça ao futuro da empresa foi a crise de 1929. No período da Grande Depressão Americana, as vendas despencaram em 20%, fazendo com que a empresa tivesse que mudar a cor original das motos, o verde oliva, para cores mais atuais, como algumas combinações de duas cores no tanque, ou algumas em sólidas cores art-déco com uma águia pintada, fazendo com que a HARLEY-DAVIDSON se adaptasse melhor ao mercado. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa forneceu 70 mil motocicletas e sidecars para o exército americano e seus aliados, sendo desenvolvido inclusive um modelo especial para os combates, o XA 750, que era equipado com um propulsor horizontal com cilindros opostos, destinado principalmente para uso no deserto. Quando o conflito acabou, o mercado americano emergiu, depois de anos de retração por causa da guerra, e todos aqueles que haviam lutado se tornaram os principais compradores das HARLEY-DAVIDSON, desejando reviver o espírito da lendária motocicleta como civis. Esses veteranos ajudaram a construir o mito HARLEY-DAVIDSON pilotando suas motos com um forte orgulho americano, que, para alguns, seria a lembrança dos amigos que lutaram com eles lado a lado, mas morreram pela liberdade do país.

 

 

Em 1946 foi produzida a WR 750 Flathead que se mostrou uma das melhores motos de competição já construídas. Pouco depois, em 1948, as melhorias nos motores 1000 e 1200, fez surgir o lendário “Panhead”, um motor de 74 centímetros cúbicos com válvulas hidráulicas e cabeças de alumínio, que levou a produção a atingir 31.163 unidades. No ano de 1953, com o fechamento da marca Indian, a HARLEY-DAVIDSON se tornaria a única fabricante de motocicletas dos Estados Unidos pelos próximos 46 anos. Os anos dessa década foram tomados pelo espírito das motocicletas HARLEY-DAVIDSON. Como as máquinas deveriam ser cada vez mais potentes, as motocicletas foram se tornando mais leves, perdendo o para-lama dianteiro e os acessórios. Os guidões começaram a assumir a forma de forquilha. Um novo modelo, conhecido pelo nome de Chopper, tornou-se muito popular. Nesse momento, as HARLEY-DAVIDSON já eram uma instituição americana, aparecendo em filmes de Hollywood ao lado de grandes protagonistas. Nos anos de 1960, as marcas japonesas, já reestruturadas, ganharam força em todo o mundo e a HARLEY-DAVIDSON sentiu o golpe da concorrência. A Honda lançou os modelos “leves”, enquanto a Kawasaki e a Yamaha entraram pesado no mercado americano. Paradoxalmente, nesse período, a empresa consolidou sua fama internacional, pegando carona nos movimentos alternativos que pregavam liberdade, paz e amor.

 

 

Uma nova e turbulenta fase na história da empresa começou em 1965. Com a abertura das suas ações na Bolsa de Valores, terminava o controle familiar na empresa. Vivendo uma decadência, em 1969, a já mítica empresa foi comprada pela American Machine and Foundry (AMF), um tradicional fabricante de produtos de lazer, que investiu US$ 60 milhões no aumento de produção, exclusivamente para enfrentar as motocicletas japonesas. Mas, apesar das vendas aumentarem e do governo americano entrar na briga contra as rivais japonesas, taxando a importação de motos, a empresa não saiu do vermelho. A produção, na década de 1970, passou de 15.000 para 75.000 unidades ao ano, atingindo um volume muito alto, mas deixando de lado o mais importante: a qualidade de seus produtos. As motos chegavam a sair da fábrica já vazando óleo. Um negociante de Nova York conta que era impossível sair do lado leste de Manhattan para o lado oeste sem um kit de ferramentas. A qualidade ficava cada vez pior, mas sua demanda continuava alta, até o crescimento das empresas japonesas, que foram responsáveis pela tomada de grande parte do mercado americano e mundial. No dia 26 de fevereiro de 1981, uma nova tentativa de salvar a marca: 13 executivos se uniram para comprar a marca da AMF. Entre eles, estavam William G. Davidson, neto de um dos fundadores, Vaughn Beals e Richard Teerlink. Para celebrar esse acontecimento eles fizeram uma viagem de moto da cidade de York à Milwaukee, sede da empresa. A frase “The Eagle Soars Alone” (A águia voa sozinha) se tornou o grito de guerra para celebrar a aquisição.

 

 

O passo seguinte foi convencer o governo a impor cotas ainda mais pesadas de importação para as motos japonesas com motores acima de 700 cc, o que lhes deu tempo suficiente para reerguer a empresa: adaptaram-se aos métodos de controle de qualidade e produção de seus concorrentes japoneses, reinventaram seu processo de fabricação e melhoraram o produto. As coisas começaram a melhorar em 1983, com um pequeno e tímido aumento nos lucros. O futuro se mostrava cada vez melhor e, em 1984, a empresa teve um lucro de US$ 3.9 milhões. Dois elementos foram fundamentais para esse regresso glorioso: o lançamento de uma nova versão do motor V-Twin, batizado de Evolution, que exigiu sete anos de pesquisa e desenvolvimento dos engenheiros da empresa; e o trabalho realizado por Willie G. Davidson à frente do departamento de projeto e responsável pela nova imagem da HARLEY-DAVIDSON. Em 1987 a empresa surpreendeu o mercado. Confiante na sua capacidade de competir com as motocicletas estrangeiras, solicitou novamente ao governo federal que retirasse a tarifa de importação das motos importadas um ano antes do que estava programado. Foi uma medida absolutamente inédita no país até então. A repercussão deste ato foi tão forte que levou o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, a realizar um tour pelas instalações da empresa e declarar publicamente que era um fã da HARLEY-DAVIDSON. Foi o suficiente para dar novo fôlego à marca. Se em 1982, a participação da marca no mercado americano era de aproximadamente 15%; em 1997 chegou a 49%, quando a empresa alcançou vendas recordes atingindo 132 mil unidades no mundo.

 

 

O uso inteligente da marca permitiu que a empresa ingressasse em novos mercados, comercializando desde roupas, como as tradicionais jaquetas de couro, botas, luvas até desodorantes, perfumes e acessórios com a grife HARLEY-DAVIDSON. Mais recentemente, com a grave crise mundial e a queda vertical das vendas, a empresa adotou a estratégia de focar investimento na marca HARLEY-DAVIDSON, encerrando as atividades da marca BUELL e vendendo a italiana MV Augusta. No início de 2011, após uma longa batalha judicial com o antigo distribuidor, a empresa assumiu oficialmente suas operações no Brasil. Dentre as ações realizadas no país, ocorreu a nomeação de novas concessionárias da marca, que atendam às necessidades de seus consumidores, oferecendo uma cobertura sólida e de acordo com os padrões mundiais da HARLEY-DAVIDSON.

 

 

Apesar de não ter asas, uma HARLEY-DAVIDSON proporciona voos de liberdade que só os apaixonados por essa lendária motocicleta conseguem descrever. Não é à toa que a marca chega aos seus 110 anos, em 2013, consagrada como um ícone americano, imortalizado desde a luta dos Estados Unidos contra os aliados de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial até ser pilotada pelo ultranacionalista Capitão América. E para comemorar essa data história a marca realiza uma série de eventos e festas em diversas partes do mundo, desde o Tibete, passando por Austrália, México, Itália e Brasil, entre outros países. Tudo para celebrar não somente o seu aniversário como também a fidelidade de pessoas que nem sequer são proprietárias de uma motocicleta da marca. Em São Paulo, a festa aconteceu no dia 1 de junho, no Anhembi, em São Paulo, com direito a shows de rock e até a presença de Bill Davidson, bisneto de um dos fundadores da empresa e hoje vice-presidente do Museu Harley-Davidson.

 

 

A linha do tempo
1911
● O motor F-HEAD se torna padrão nas motocicletas HD.
1912
● Formação do Departamento de Peças e Acessórios.
1913
● Formação do Departamento de Competição, sob o comando de Bill Harley.
1914
● Os primeiros Sidecars são vendidos pela marca.
● A HARLEY-DAVIDSON é um dos primeiros fabricantes de motocicletas a mudar as correias de transmissão de couro para cadeias.
● Pedais de freio e embreagem estão disponíveis nos motores F-Head de um e dois cilindros.
1916
● Publicação da primeira edição da ENTHUSIAST, a revista oficial da HARLEY-DAVIDSON. Foi nesta revista, em 1956, que o então jovem astro Elvis Presley posou para a edição de maio com uma HARLEY-DAVIDSON modelo KH. Hoje em dia, cada edição tem tiragem superior a 1 milhão de exemplares.
1917
● Criação do The Quartermasters School, departamento voltado para treinar mecânicos militares para as motocicletas HD. Mais tarde esse departamento se tornaria a Service School e atualmente é conhecida como UNIVERSIDADE HARLEY-DAVIDSON, onde mecânicos de concessionárias americanas ainda são treinados.
● Início oficial das vendas de bicicletas com a marca HARLEY-DAVIDSON.
1919
● Lançamento do modelo SPORT equipado com um motor de 37 polegadas cúbicas com cilindros opostos, que conquistou uma enorme popularidade em outros países. Único não somente pela configuração dos cilindros, que eram retos e opostos, o modelo adquiriu a reputação de ser estranhamente silencioso.
1922
● O primeiro motor em V de 74 polegadas é utilizado nos modelos JD e FD.
1928
● O primeiro motor HD de duplo comando foi disponibilizado ao público nas motocicletas da série JD. Essa moto era capaz de atingir uma velocidade final de 140km/h a 160km/h.
1929
● O motor bicilíndrico em V de 45 polegadas, que depois passou a ser conhecido como FLATHEAD, foi introduzido no modelo D. Este motor provou ser tão confiável que variações dele são encontradas em motocicletas HD até 1973.
1932
● Lançamento dos primeiros triciclos da marca.
1933
● Um desenho de uma águia art-déco é pintado em todos os tanques de gasolina. Isso marcou o começo das pinturas nas motocicletas HARLEY-DAVIDSON (com exceção de pinturas por encomenda). A decisão de estilizar as motos foi tomada, em parte, para estimular as baixas vendas, causadas pela depressão que assolava a economia americana.
1936
● Lançamento do modelo EL, equipado com motor de 61 polegadas, com válvulas laterais. Com maior potência e mudanças audazes de desenho, a motocicleta ganha o apelido de Knucklehead, devido ao formato das tampas dos cabeçotes. Esta moto foi considerada uma das mais importantes lançadas pela empresa em sua história.
1947
● A empresa começa a vender o que se tornaria a clássica jaqueta preta para motocicletas.
1948
● Novas características são adicionadas aos motores de 61 e 74 polegadas com válvulas sobrepostas, incluindo cabeçotes de alumínio e lifters de válvula hidráulicos. Também eram novidade as rocker covers, ou tampas dos cabeçotes, cromadas, de uma única peça, com formato de formas de bolo. O apelido PANHEAD (cabeça-de-panela) seria, então, apenas lógico, já que o formato peculiar de seus cabeçotes era semelhante a panelas de ponta cabeça.
1952
● Lançamento do modelo K de válvula lateral com motor e transmissão integrados, para competir com modelos menores e esportivos, vindos da Grã-Bretanha. Esse modelo eventualmente evolui para o que agora é a Sportster.
● Lançamento do modelo HYDRA-GLIDE, a primeira motocicleta da marca batizada com um nome, e não com números, como acontecia até então.
1957
● Introdução da SPORTSTER, equipada com um motor de 55 polegadas, com válvulas sobrepostas. Em apenas um ano, ficou conhecida como a primeira das Superbikes, que inaugurou uma nova era das motocicletas consideradas peso pesado. Até hoje, este nome desperta paixões entre os fãs da marca.
1958
● Introdução do modelo DUO-GLIDE com suspensão e freios traseiros hidráulicos.
1960
● Lançamento da TOPPER, primeira scooter produzida pela empresa.
1965
● Lançamento do modelo ELECTRA-GLIDE, substituindo o modelo Duo-Glide, e trazendo como inovação a partida elétrica, recurso que pouco tempo depois chegaria também à linha Sportster.
1966
● O primeiro dos motores SHOVELHEAD foi introduzido nos modelos Electra Glide. O motor ganhou esta designação porque seus cabeçotes lembravam o formato de uma pá de carvão.
1971
● Introdução do modelo FX 1200 SUPER-GLIDE, apelidado de “Rei da Estrada”, marcando a entrada da empresa no segmento de motocicletas de passeio, com um motor de 80 centímetros cúbicos e isolador de vibrações. Batizada de cruiser e destinada às longas viagens, nascia um produto feito sob medida para atravessar com conforto e segurança as imensas estradas americanas.
● Lançamento das primeiras motos de neve (snowmobiles) da empresa.
1977
● Lançamento da FXS LOW RIDER, que possuía guidão reto, motor e pintura exclusivos, e fazia jus ao nome, acomodando o piloto em uma posição mais baixa que o comum.
1979
● Introdução do modelo FAT BOB FXEF, que recebeu este nome em virtude de seus tanques de combustível duplos (FAT) e seu para-lama cortado (BOB).
1980
● Em homenagem ao histórico rali de Sturgis, lançamento do modelo FXB STURGIS, que vinha equipado com correia na transmissão, acessórios em cromo preto e motor de 80 polegadas.
1982
● Mais inovações demonstram um novo compromisso com a qualidade, como as FXR/FXRS SUPER-GLIDE II, com isolamento de borracha, caixa de cinco marchas e o quadro prensado e soldado para os modelos Sportster.
1984
● Introdução do modelo SOFTAIL com o motor V2 Evolution de 1340cc, cuja particularidade era tirar o máximo de rentabilidade com o mínimo de manutenção ganhando mais força à medida que aumentava a velocidade. A principal característica deste modelo era o método de esconder os amortecedores traseiros, o que estabeleceu uma tendência no mercado.
1988
● Lançamento da SPORTSTER 1200 cilindradas.
● Pela primeira vez o museu itinerante HARLEY-DAVIDSON (uma enorme carreta) bota o pé na estrada para mostrar aos fãs as relíquias, motocicletas clássicas e a rica história da marca.
1990
● Introdução do modelo FAT BOY, que logo se tornou uma lenda no design atual das motocicletas. O nome vem do enorme pneu traseiro, uma das características marcantes da moto que conquistou os mais exigentes admiradores da marca pelo seu desenho inovador, aros originais e inconfundível carisma. A motocicleta, que agora vem equipada com motor de 1.584 cilindradas e pneu traseiro 200 mm, a fez parecer mais “bandida” ainda. Motor que sobra em potência, muita agilidade e visual incrível. Assim é a FAT BOY, um dos modelos mais vendidos da marca no mundo.
1991
● Lançamento da linha DYNA com a estreia da FXDB Dyna-Glide Sturgis.
1994
● Lançamento da clássica FLHR ROAD KING.
1995
● As motos do modelo Ultra Classic Electra Glide são equipadas pela primeira vez com injeção eletrônica sequencial de combustível.
1997
● Introdução do modelo HERITAGE SPRINGER, a versão peso pesado da Softail.
1999
● Introdução dos motores TWIN CAM, cujo nome deve-se ao fato de possuir dois comandos no bloco para acionar as válvulas.
2000
● Lançamento da FXSTD SOFTAIL DEUCE para o imediato deleite dos motociclistas e da imprensa especializada.
2001
● Lançamento dos motores REVOLUTION, cujo ângulo do ”V” era de 60° em vez de 45°.
● Lançamento do modelo V-Rod, uma das motocicletas mais ousadas da marca em todo o mundo, com design futurístico e motor desenvolvido em parceria com a alemã Porsche. Trata-se de um motor dois cilindros em “V” de 1.130 cm³ de cilindradas e 115 cavalos de potência. O modelo foi o primeiro da história da marca a ser equipado com motor refrigerado à água.
2004
● Lançamento da FLHRSI ROAD KING CUSTOM, que devido a sua suspensão traseira mais baixa e o guidão largo, trouxe um ar praiano para uma HARLEY-DAVIDSON clássica.
2006
● As primeiras transmissões de 6 marchas passam a equipar a linha DYNA, que ganha mais um modelo: FXDBI STREET BOB.
● Lançamento da STREET GLIDE, uma motocicleta estradeira que também anda bem nas ruas da cidade. Atualmente é o modelo da empresa mais vendido no mundo.
2008
● As motocicletas da linha Touring passam a ser equipadas com acelerador eletrônico.
● Lançamento da FXCW SOFTAIL ROCKER, uma moto ao estilo Long & Low (longa e baixa), na qual o banco fica a apenas a 622 mm do chão, fazendo com que seja uma das mais baixas do segmento, e a mais baixa de toda a linha HD.
2010
● Lançamento da XL FORTY-EIGHT, nova representante da linha Sportster, a mais acessível da marca. A moto de visual retrô é equipada com um motor V2 de 1200cc com injeção eletrônica, tanque de 7.9 litros, assento único e rodas de aro 16 de aço.
2012
● Lançamento da DYNA SWITCHBACK, equipada com um motor Twin Cam 96 de 1585cc e transmissão de seis velocidades. O modelo conta com freios ABS e computador de bordo de série. No visual, rodas de alumínio com cinco raios, farol amplo com cobertura cromada integral e guidão recuado no estilo mini ape-hanger.

 

 

Um ronco inconfundível
Através de toda sua história, as motocicletas da HARLEY-DAVIDSON têm sido conhecidas e ouvidas à distância pelo ronco característico e inconfundível de seus motores. Esse som é único graças à maneira que os motores são projetados. Em um motor comum, o pistão passa pelo processo de admissão, compressão, combustão e exaustão a cada duas rotações do eixo. Então, quando a válvula de exaustão abre e os gases comprimidos no cilindro escapam, se ouve um “pop”, denotando que se passou um ciclo de rotação do eixo. Num motor de dois cilindros comum, os pistões são cronometrados para que um exploda em uma rotação do eixo, e o outro na próxima, cada um explodindo em movimentos individuais do eixo. O que faz uma HARLEY-DAVIDSON tão especial, é que os pistões são conectados ao eixo de tal maneira, que ambos explodem com 45° de diferença antes e depois de uma completa rotação de 360° do eixo, dando o som de dois “pops” e então uma pausa. O que se ouve é o inconfundível som “pop-pop” de uma legítima HD, um verdadeiro musical clássico para deleite de seus fãs. Em marcha-lenta, é possível ouvir o som “pop-pop” seguido por uma pausa. Por isso, seu som é “pop-pop”…”pop-pop”…”pop-pop”. Este é o som exclusivo de uma HARLEY-DAVIDSON.

 

 

Marketing radical
A HARLEY-DAVIDSON talvez seja a marca no mundo que melhor realize o marketing de relacionamento. Um grande exemplo disso ocorreu no dia 3 de junho de 1998, quando uma trovoada imensa partiu de um conjunto que lançava um brilho ofuscante de cromados obscurecido por uma amálgama de blusões pretos. Eram mais de 50 mil membros do clube de proprietários de HARLEY-DAVIDSON no desfile de celebração do 95º aniversário da empresa e 140 mil fãs espalhados pela cidade de Milwaukee. Este é apenas um exemplo de que, se o marketing de relacionamento radical se trata da criação de uma comunidade que se une em volta de uma marca, deve haver poucos casos como o da americana HARLEY-DAVIDSON.

 

 

Além disso, a empresa organiza o HARLEY DAYS, um dos maiores eventos internacionais da marca aberto ao público. Sucesso em países como Espanha, Croácia, Suíça, Alemanha, e mais recentemente Brasil, o conceito deste evento é o intercâmbio de experiências, para que isso se materialize e seja efetivamente marcante para cada participante. O programa de cada evento inclui shows de música, performances, exposições, concursos, atividades infantis, visitas guiadas em pontos turísticos da cidade, test ride e desfile de motos. Os membros do H.O.G. geralmente tem uma área exclusiva com um bar customizado e pocket shows numa programação VIP.

 

 

Outro evento importante da marca foi lançado em 2008 com o nome de MILLION MILE MONDAY, que tinha como principal objetivo fazer com que os proprietários de HARLEY-DAVIDSON saíssem da garagem para celebrar a marca e a paixão pelo motociclismo, independente do país ou do modelo de HD que pilotem. Em 2012, o evento, já renomeado como WORLD RIDE, bateu recorde de quilômetros rodados (12.5 milhões), durante dois dias. O Brasil teve papel determinante, alcançando a segunda posição, com aproximadamente 673.000km entre os 66 países participantes, ficando somente atrás dos Estados Unidos. Todo quilômetro percorrido pelos participantes é computado por um contador online, onde um hodômetro marca a distância coletiva viajada em tempo real.

 

 

Em 2006 a marca lançou um vídeo institucional batizado de “Live by it”, que acabou se transformando em uma cultuada oração para qualquer proprietário de uma HARLEY-DAVIDSON.
Nós acreditamos no nosso próprio caminho, não importa qual é o rumo que o resto do mundo está tomando
Nós acreditamos em resistir a esse sistema que foi construído para esmagar os indivíduos como insetos em um para-brisas
Alguns de nós acreditam no Homem lá de cima; todos nós acreditamos no homem que somos aqui embaixo
Nós acreditamos no céu, e não acreditamos em tetos solares
Nós acreditamos na liberdade
Nós acreditamos na poeira, nos búfalos, nos vales montanhosos, na vegetação rasteira e em pilotar em direção ao pôr do sol
Nós acreditamos em bolsas laterais, nós acreditamos que os caubóis é que sabiam das coisas
Nós nos recusamos a abaixar a cabeça para quem quer que seja
Nós acreditamos em roupas pretas, porque elas não demonstram sujeira… ou fraqueza
Nós acreditamos que o mundo está ficando muito monótono, e que nós não vamos ficar como ele
Nós acreditamos em pegar a moto e viajar por uma semana inteira
Nós acreditamos em diversões de beira de estrada, hot-dogs de posto de gasolina e em descobrir o que está acontecendo na próxima cidade
Nós acreditamos em motores barulhentos, pistões do tamanho de uma lata de lixo, tanques de combustível desenhados em 1936, faróis do tamanho dos de uma locomotiva, cromo e pintura customizada
Nós acreditamos em chamas e em caveiras
Nós acreditamos que a vida é o que você faz dela, e nós fazemos dela uma viagem daquelas
Nós acreditamos que a máquina que você pilota diz ao mundo exatamente de que lado você está
Nós não nos importamos com o que os outros acreditam
Amém.

 

 

Um bando de apaixonados
Os executivos da empresa têm uma ligação praticamente siamesa com os seus clientes. Em 1983, eles fundaram o HARLEY OWNERS GROUP (mais conhecido como H.O.G.®), que tinha como principal objetivo atrair novos clientes para o estilo de vida que a marca acreditava ser o seu grande diferencial: pregando o “andar de moto” como diversão para a família e uma maneira de conhecer o mundo e se divertir. Isso deixava o cliente mais envolvido e o programa se tornou, ao mesmo tempo, um diferencial para a marca e uma inovação para o cliente, que passou a ter necessidade de consumir cada vez mais, não somente motocicletas, como principalmente produtos variados da marca, como por exemplo, capas de chuva, jaquetas, luvas, capacetes, etc. Com a criação deste clube surgiu uma instituição que patrocina ralis, organiza eventos e mantém os proprietários de HARLEY-DAVIDSON em contato com a empresa e uns com os outros.

 

 

No primeiro rali organizado pelo HOG, em 1984, estiveram presentes apenas 28 pessoas. Hoje são mais de 1 milhão de membros (estima-se que no Brasil seja aproximadamente 30 mil pessoas), muitos deles facilmente identificáveis por uma aparência durona e rústica, com suas jaquetas de couro, tatuagens e cabelo comprido. O primeiro H.O.G. internacional foi fundado em 1991 na Inglaterra. No mundo inteiro são mais de 1.400 deles. A fundação do H.O.G. ajudou à regeneração da empresa, permitindo-lhe manter-se como marca que perdura e perdurará. É uma turma cujo maior prazer é ir para lá e para cá em estradas, sem destino, de preferência em bando, com jaquetão de couro, calça jeans surrada e aquele olhar de desprezo para os motoqueiros normais. Hoje em dia, o H.O.G. oferece aos seus membros vantagens que cada vez mais alimentam à paixão por dirigir uma HARLEY-DAVIDSON, tais como a revista HOG, encontros, passeios e eventos, chapter locais, distintivos e emblemas, o programa de locação de motos Fly & Ride, remessa de motocicletas e muito mais.

 

 

Uma estrela em Hollywood
Tão venerada quanto as badaladas estrelas do cinema, a HARLEY-DAVIDSON sempre foi presença constante nos filmes de Hollywood. Muitas vezes como companheira inseparável de protagonistas marcantes. Como por exemplo, em 1953, no filme “The Wild Ones” (O Selvagem), protagonizado por Marlon Brando e o modelo Hydra Glide. Elas foram, inclusive, as companheiras de Peter Fonda e Dennis Hopper no clássico filme “Easy Rider” (Sem Destino), onde foi apresentado pela primeira vez o modelo CHOOPER, imortalizado com a pintura da bandeira norte-americana no tanque. O modelo FAT BOY, que se tornou popular quando utilizado no filme “Exterminador do Futuro II”, de 1991, estrelado por Arnold Schwarzenegger. Ou ainda o modelo V-Rod, que se tornou célebre depois de ser uma das grandes atrações do filme “X-Men – O Confronto Final”, onde era pilotado pelo personagem Ciclope (interpretado por James Marsden). E outros modelos da lendária motocicleta já circularam com destaque pelos estúdios de Hollywood, como a FLSTF Fat Boy nos filmes Os Vingadores e Wolverine; a Softail Springer Classic em Indiana Jones; a XL1200C Sportster Custom em Motoqueiros Selvagens; a FXSTC Softail Custom em Robocop; a FXR Super em Pulp Fiction, pilotada por Bruce Willis; a FLHTP Electra Glide em Na Linha de Fogo; e mais recentemente a WLA 1942 no filme Capitão América, O Primeiro Vingador, onde o herói dos quadrinhos, interpretado por Chris Evans, defende a liberdade e a justiça pilotando uma HARLEY-DAVIDSON.

 

 

O museu do mito
Um verdadeiro templo para os fãs. Assim pode ser definido o Museu Harley-Davidson, inaugurado oficialmente no dia 12 de julho de 2008 na sede da empresa em Milwaukee, em uma deslumbrante área de 20 acres, com mais de 700 árvores nativas, lago, rio e em um parque aberto 24 horas. O museu, 12.000m² divididos por três prédios de tijolos pretos, aço galvanizado e vidro, é um arquivo impressionante da história da marca e inúmeras exposições são constantemente programadas. A primeira delas contou com a réplica de uma pista que lembra as chamadas “corridas loucas”. Pistas ovais feitas de tábuas de madeira, cheias de gordura, curvas com inclinação de 45°, onde era possível atingir 190 km/h em motos sem freios. Elas duraram pouquíssimo tempo por motivos óbvios. Neste templo para o adoradores da marca estão expostas aproximadamente 450 clássicas motocicletas fabricadas pela empresa. Entre elas está a mais antiga: Serial Number One. Trata-se de uma espécie de protótipo com pedal e um pequeno motor, construído pelos fundadores da empresa. De mais “recentes”, há os modelos de serviço de três rodas, usados durante a Grande Depressão, e os criados especialmente para a Segunda Guerra Mundial. Também está no museu a moto KH vermelha e branca 1956 de Elvis Presley, comprada alguns meses antes de estourar com a música “Heartbreak Hotel”. Outros famosos também marcam presença virtual em telas que exibem os momentos mais importantes da HARLEY-DAVIDSON no cinema e na televisão.

 

 

Além disso, quem quisesse se tornar um membro fundador poderia ter esta honra, pelo menos de certa forma. É que até o final do ano de 2008, quem se associou ao museu, pagando taxas que variavam de acordo com cada plano, teve direito a este título com a honraria gravada em uma plaqueta de metal, ou como eles chamam, em um “dog tag”. Expondo muito mais que a rica e mítica história da marca americana através de fotos, vídeos, roupas, documentos raros e outros artefatos, o local tem entre suas atrações a exibição dos componentes desmontados que fazem parte das motocicletas e dos tradicionais tanques de gasolina de modelos clássicos da marca. Além disso, a “Sala do Motor” exibe em uma espécie de árvore genealógica a evolução dos motores que impulsionam uma HRALEY-DAVIDSON, expostos em uma parede laranja. O museu conta também com um restaurante que abriga 900 pessoas sentadas, um badalado café, uma enorme loja (a maior do mundo), onde é possível encontrar uma infinidade de produtos HARLEY-DAVIDSON, e um espaço para eventos e espetáculos, desde casamentos a encontros de motos clube. E para se sentir em casa – ou na estrada – de vez, o museu tratou de colocar o característico ronco do motor em diversos locais para o público ouvir. O museu atrai aproximadamente 450.000 visitantes por ano.

 

 

A evolução visual
O icônico logotipo da marca HARLEY-DAVIDSON, chamado de “Bar & Shield”, surgiu em 1908, quando foi usado como um adesivo, fixado na caixa de ferramentas encontrada nas motocicletas HD. O nome Bar & Shield vem do formato do logotipo que é constituído por uma barra (bar) onde está escrito o nome HARLEY-DAVIDSON e um escudo (shield) onde se lê “Motor Cycles”. Um pedido de registro da marca no U.S Patent Office com a data de 30 de janeiro de 1930 alega que o “B&S” foi usado e aplicado constantemente pela empresa desde 6 de maio de 1910. A primeira associação com a cor preta e laranja para o logotipo Bar & Shield data de 1922, quando peças e acessórios receberam embalagens com novo design. A versão atual surgiu somente em 1965, substituindo a versão antiga, bem mais alongada.

 

 

Além da identidade visual para suas motocicletas, a empresa utiliza um logotipo corporativo, idêntico ao da marca, mas com a palavra COMPANY ao invés de CYCLES.

 

Os slogans

So screw it, let’s ride. (2008)
Live by it. (2006)
The Legend Rolls On. (A lenda continua rodando)
Live to Ride, Ride to Live. (Viva para rodar, rode para viver)
The Road Starts here. It never Ends. (A estrada começa aqui, mas nunca acaba)
American by birth. Rebel by choice. (Americana de nascimento. Rebelde por escolha)
Until you’ve been on a Harley-Davidson, you haven’t been on a motorcycle. (Se você nunca andou em uma Harley-Davidson, então nunca andou em uma moto)
If i have to explain, you wouldn’t understand. (Se eu tiver que explicar, você não vai entender)
Soul: That is the Difference. (Alma: essa é a diferença)
A Legend Can’t Stand Still. (Uma lenda não pode ficar parada)
It’s time to ride. (É hora de rodar)
A Rolling Testament to Staying True.

 

 

Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 28 de abril de 1903
● Fundador: William Harley e Arthur Davidson
● Sede mundial: Milwaukee, Wisconsin
● Proprietário da marca: Harley-Davidson, Inc.
● Capital aberto: Sim (1986)
● Chairman & CEO: Keith Wandell
● Faturamento: US$ 5.58 bilhões (2012)
● Lucro: US$ 623.9 milhões (2012)
● Valor de mercado: US$ 12.1 bilhões (junho/2013)
● Valor da marca: US$ 3.857 bilhões (2012)
● Fábricas: 7
● Concessionárias: 1.550
● Vendas globais: 249.849 unidades (2012)
● Presença global: + 100 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 6.400
● Segmento: Motocicletas
● Principais Produtos: Motocicletas, acessórios e roupas
● Concorrentes diretos: Triumph, BMW, Yamaha, Honda, Suzuki e Kawasaki
● Ícones: A imagem de rebeldia, o logotipo e o ronco de suas motos
● Slogan: So screw it, let’s ride.
O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca HARLEY-DAVIDSON está avaliada em US$ 3.857 bilhões, ocupando a posição de número 96 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. A empresa também ocupa a posição de número 449 no ranking da revista FORTUNE 500 de 2013 (empresas de maior faturamento no mercado americano).
A marca no mundo
Em 2012, a HARLEY-DAVIDSON comercializou quase 250 mil motocicletas em mais de 100 países, oferecendo aproximadamente 20 modelos diferentes (entre eles os famosos Fat Boy, The Sportster, Electra Glide, além da linha CVO, preparada pela Custom Vehicle Operations, especializada na customização de motos na própria fábrica da empresa) através de seus mais de 1.500 pontos de vendas, contando com uma força de trabalho de 6.400 pessoas. Depois das motocicletas (que responde por algo em torno de 65% do faturamento) e partes e acessórios (8% do faturamento), a marca vende atitude, comercializando roupas e acessórios. Somente a licença de utilização do logotipo e da marca HD gerou para a empresa em 2012 uma arrecadação de aproximadamente US$ 300 milhões.
Você sabia?
● A primeira fábrica da marca fora dos Estados Unidos foi inaugurada na cidade de Manaus no ano de 1998.
● Nos Estados Unidos, uma grande parte das policias estaduais, tem enormes frotas de HARLEY-DAVIDSON. A primeira delas foi vendida para o departamento de polícia de Detroit em 1908.
fonte

A Origem das Marcas – Uber

Táxi é uma palavra praticamente universal. Em quase todos os idiomas significa a mesma coisa: um carro com motorista, pago de acordo com o tempo de uso e o trajeto percorrido. Mas em algumas cidades quem precisa de transporte tem usado uma nova palavra: Uber. Para milhões de passageiros que usam o serviço diariamente, o Uber representa o futuro do transporte nas grandes cidades.
A história 
Apesar de ter sido criada em pleno Vale do Silício, a história de uma das empresas mais controversas do mundo começou no ano de 2008 em uma noite fria e com nevasca na cidade de Paris. Travis Kalanick, que acabara de vender por US$ 20 milhões o RedSwoosh, um serviço de compartilhamento de arquivos online, participava de um evento de tecnologia e empreendedorismo na cidade. Como não conseguiam encontrar um táxi, ele e um amigo, Garrett Camp (que também havia ficado milionário ao vender o site de busca StumbleUpon para o gigante de varejo online eBay por US$ 75 milhões), imaginaram um serviço com o qual era possível chamar um carro com motorista particular com apenas um toque na tela do celular, para que potenciais clientes se deslocassem de forma mais confortável e segura.
De volta à cidade de San Francisco, eles amadureceram e aprimoraram a ideia. No mês de março de 2009 a dupla fundou a empresa, inicialmente chamada de “UberCab”. O aplicativo, que informava a localização do passageiro por meio do GPS do smartphone e estava disponível para iPhones e celulares com Android, foi lançado oficialmente em junho do ano seguinte. O plano inicial era oferecer carros executivos, como por exemplo, Mercedes-Benz S550 e Cadillac Escalade. O serviço seria semelhante a um táxi de luxo. A questão era como convencer os motoristas que já ofereciam esse serviço (em geral, em parceria com hotéis) a adotar o novo aplicativo. Era verão de 2010. Aí entram em cena os brasileiros. Apesar de não existirem estatísticas oficiais, há um contingente considerável de motoristas executivos e taxistas brasileiros em San Francisco. Essa rede de contatos da comunidade brasileira foi essencial para a decolagem da nova empresa — do lado dos motoristas.
Do lado dos passageiros, um impulso importante veio quando a secretaria de transportes de San Francisco implicou com o nome da empresa e com o serviço. A confusão colocou a empresa nos holofotes da imprensa e no radar dos fundos de capital de risco, marcando assim o início do sucesso do Uber em território americano. Polêmicas, controvérsias, brigas: eis a tônica da história da empresa desde o início. Nesta época, a corrida chegava a custar cinco vezes o valor cobrado por um táxi. Nada que afastasse o público-alvo naquele momento: empresários e investidores endinheirados do Vale do Silício. O sucesso inicial podia também ser explicado pela praticidade do serviço. Abrir um aplicativo, chamar um carro, fazer a corrida confortavelmente e não precisar tirar a carteira do bolso para pagar (o pagamento era realizado por meios digitais). Essa era uma das mágicas do Uber.
O Uber recebeu seu primeiro financiamento de risco no final deste ano a partir de um grupo de investidores, que incluiu Chris Sacca, um dos primeiros a acreditar (com dinheiro, é claro) no Twitter. No início de 2011, arrecadou mais de US$ 11.5 milhões. Com isso, a empresa expandiu seu serviço para a cidade de Nova York, e o sucesso não aconteceu sem alguns obstáculos. Como não poderia deixar de ser, a organização que coordena táxis e limusines na cidade não gostou da concorrência, e conseguiu fechar 5 das 6 bases do Uber. Considerando que o Uber se organiza principalmente usando plataformas digitais, a medida não adiantou de nada, e o serviço continuou em pleno funcionamento. Pouco depois, o serviço foi introduzido em grandes cidades americanas como Seattle, Chicago, Boston e na capital Washington. Paris foi a primeira cidade fora os Estados Unidos a receber o serviço em dezembro de 2011, antes da “LeWeb”, uma conferência internacional de internet e período onde a procura por táxis era enorme.
Em 2012, a empresa criou o UberX, opção que permitia a qualquer proprietário de veículo virar motorista. E foi justamente a partir deste momento que os problemas realmente começaram. Isto porque, por ser uma tecnologia disruptiva, como são chamadas as inovações com potencial para criar e destruir mercados, o Uber esbarrava constantemente em questões legais. Ao usar o GPS de um smartphone para localizar um veículo próximo ao usuário com apenas um toque na tela, o Uber assumia o papel das centrais de radio táxi. A cada nova cidade em que desembarcava, causava levantes de taxistas, prefeituras e órgãos oficiais contra o serviço. Para tentar se defender, cooperativas de diversas cidades recorreram a liminares que proibiam o uso do aplicativo. E a empresa recorria a uma equipe de lobistas e advogados que contestavam a legislações em vigor, incluindo David Plouffe, coordenador das duas campanhas que elegeram o presidente americano Barack Obama, para lidar com o embate legal que a empresa enfrentaria. Além disso, diante de toda essa resistência, a empresa adotou uma postura incisiva. Acusa as cooperativas de táxi de atuarem como cartel e reagem agressivamente nos lugares onde são proibidos (na Alemanha, após o aplicativo ser banido a empresa lançou uma promoção que oferecia desconto de 30% nas corridas) e afirma ser uma empresa de tecnologia e não de transporte. Mesmo assim, a empresa seguiu em frente. A entrada do Uber no mercado canadense ocorreu em março de 2012, quando o lançamento oficial foi realizado na cidade de Toronto.
Após ser lançado em Londres, no mês de julho, depois de um período de teste de seis semanas, o Uber foi introduzido oficialmente em Sydney, na Austrália, em novembro deste mesmo ano. Ainda em 2012, iniciou testes para incluir a requisição de táxis convencionais através do aplicativo na cidade de Chicago. Além disso, passou a oferecer táxi aéreo por helicóptero entre as cidades de Nova York e Hamptons por US$ 3.000, serviço que foi batizado de UberChopper. Alheio a centenas de protestos promovidos por motoristas de táxis, a expansão internacional se intensificou. Das 70 cidades em que a empresa estava presente, 40 foram incorporadas em 2013, como por exemplo, Seul. Na América do Sul, o serviço chegou a três cidades: Bogotá e Cali, na Colômbia, e Santiago, no Chile. Ainda em 2013, a empresa iniciou a experimentação de novos serviços, como por exemplo, uma versão do aplicativo que permitia que os usuários chamassem carrinhos de sorvete pelo celular. Já no Brasil, o Uber chegou no dia 15 de maio de 2014, quando começou a oferecer seus serviços na cidade do Rio de Janeiro. Pouco depois desembarcou em São Paulo. Uma curiosidade: a corrida “número zero” na capital paulista foi solicitada pela modelo brasileira Alessandra Ambrósio, no bairro dos Jardins, zona sul, com destino ao Consulado Britânico, em Pinheiros. E também enfrentou protestos dos taxistas. A verdade é que o Uber não oferece serviços de táxi, muito menos de transporte clandestino e não autorizado de passageiros. Oferece um serviço ainda não regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro. E o fato deste não estar regulado não significa que este é ilícito. Ainda neste ano a empresa iniciou testes para disponibilizar novos serviços, como por exemplo, a entrega de comida, batizada de UberFresh, na cidade californiana de Santa Monica; UberPool, versão do seu serviço que permite a passageiros dividir uma corrida para destinos próximos; e UberRush, um serviço de entrega rápida de pacotes, encomendas e documentos por toda Manhattan.
A escolha e avaliação dos motoristas parceiros também já foi motivo de discórdia. Como a empresa não possui nenhum carro ou sequer motorista contratado, trabalha com parceiros cadastrados no serviço. Mas não é qualquer um que será aceito. Os candidatos precisam ter uma carteira de habilitação especial, atestado de antecedentes criminais, ser proprietário de um veículo dos modelos pré-estabelecido, possuir seguro para uso comercial do carro e passar por horas de entrevistas até serem aceitos. Além disso, aprendem práticas de direção segura e boas maneiras, como por exemplo, a abrir e fechar as portas para os passageiros, perguntar se o som ou o ar-condicionado incomodam, não falar demais e manter o carro sempre limpo. E o processo não acaba aí. Os motoristas são avaliados pelos passageiros – e vice-versa. Só continuam com a parceria aqueles que alcançarem uma avaliação superior a 4,6 estrelas, em uma medição de 0 a 5. No Brasil, a média dos motoristas é 4,85 estrelas. Cada motorista (chamado pela empresa de colaborador) é remunerado com 80% do valor pago pela corrida. O Uber, por sua vez, fica com 20% da taxa.
Hoje em dia a empresa oferece basicamente dois tipos de serviços: UberBlack, que oferece carros luxuosos e na cor preta (o único disponível no Brasil, por enquanto, com veículos como Toyota Corolla, Ford Fusion, Volkswagen Jetta e Honda Civic) com motoristas, vestidos socialmente e geralmente em tempo integral, e até garrafas de água gelada a disposição; e o UberX, que oferece carros mais simples e tem preços competitivos com os dos táxis, cujos motoristas costumam ser pessoas que usam a plataforma para complementar sua renda trabalhando apenas algumas horas por semana. E foi justamente este último serviço, que devido às tarifas mais baixas, tornou o Uber extremamente competitivo, com serviços de táxi tradicional, ampliando seu apelo a uma parcela maior do mercado.
Apesar de inúmeras controvérsias, o Uber faz enorme sucesso em vários países ao redor do mundo. Por exemplo, na cidade de San Francisco, onde o aplicativo começou, o número de corridas despencou em 64% nos táxis tradicionais ao longo de dois anos. Um claro efeito Uber. Mesmo em países onde encontra problemas legais, como por exemplo, na Espanha, onde uma liminar bloqueou a operação da startup, a empresa utilizou a criatividade para continuar operando ao lançar o UberEATS, um delivery de comida. E tanto sucesso atraiu investidores do peso de Shawn Fanning (ex-Napster), Jeff Bezos (fundador da Amazon) e Google Ventures, braço de investimentos da gigante de internet. Hoje em dia, o Uber é avaliado em US$ 50 bilhões. E para continuar crescendo, a empresa não deve se afastar tão cedo das polêmicas. Afinal, Facebook e Google já compraram muitas brigas por causa de suas políticas de privacidade. Empresas como Amazon e Apple já foram processadas por práticas anticompetitivas pelas autoridades de defesa do direito econômico. O Uber testa os limites da legislação que regulamenta os serviços de transporte. E por enquanto, vai conseguindo crescer.
A evolução visual 
A identidade visual da marca passou apenas por uma grande remodelação em sua história. Isto aconteceu no final de 2011, quando o logotipo adotou uma nova tipografia de letra, mais afinada e moderna, e remodelou o tradicional símbolo do U. O logotipo pode ser aplicado também utilizando somente o nome da empresa.

Os slogans
Everyone’s Private Driver. 
Seu motorista particular. (Brasil)

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 2009 
● Fundador: Travis Kalanick e Garett Camp 
● Sede mundial: San Francisco, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Uber Technologies, Inc. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Garett Camp 
● CEO: Travis Kalanick 
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 58 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 1.000 
● Segmento: Tecnologia 
● Principais produtos: Aplicativo de carona remunerada 
● Concorrentes diretos: Lyft, Sidecar, Haxi, Zaznu, 99Taxis e Easy Taxi 
● Slogan: Everyone’s Private Driver. 
● Website: www.uber.com/pt/
A marca no mundo 
O Uber (se pronuncia “úber”), empresa de tecnologia mais popular da atualidade e que causa controvérsias por onde quer que passe, já está presente em 58 países e mais de 310 cidades, quatro no Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte), conta com estimados 1 milhão de motoristas, levantou US$ 5.9 bilhões de investidores de risco e é avaliada em aproximadamente US$ 50 bilhões. Diariamente, mais de 1 milhão de passageiros utilizam o serviço.
Você sabia? 
● Em março de 2015, segundo o jornal New York Post, já existiam mais carros do Uber na cidade do que táxis. Eram 14.088 motoristas do Uber contra 13.587 taxistas.
● Desde seu lançamento, inúmeras companhias adotaram esse modelo de negócio, uma tendência batizada de “Uberification”. Um de seus principais concorrentes é o aplicativo Lyft, cujos carros são identificados com um enorme bigode cor-de-rosa pendurado no para-choque.
● O aplicativo não exibe o número de celular nem do passageiro nem do motorista. Isso garante a privacidade de ambos e evita abordagens inconvenientes depois de prestado o serviço.
● O Uber foi um dos pioneiros no conceito de E-hailing, ato de se requisitar um táxi através de um dispositivo eletrônico, geralmente um celular ou smartphone, substituindo métodos tradicionais como ligações telefônicas ou simplesmente esperar ou ir à busca de um veículo na rua.
fonte

Ser inventor autônomo não é brinquedo

O mineiro Paulo Gannam, é formado em jornalismo pela Universidade de Taubaté e especialista em dependência química pela Universidade de São Paulo. Já teve alguns trabalhos nessas áreas mas como bem diz, sua paixão é pela criação, por patentes, negociações e comercialização de produtos no mercado. Seu objetivo é patentear o máximo de produtos possíveis junto aos órgãos competentes e negociá-los com o meio empresarial, que costuma estar em busca de novas tecnologias. O legado que Gannam gostaria de deixar são as suas ideias, transformadas em produtos para o mercado. Para o portal Panorama Mercantil, o inventor afirma: “Fico abismado de ver como as empresas sediadas no exterior e seus serviços de atendimento são muito mais eficientes para receber a sua solicitação, encaminhar seu projeto ao departamento competente e lhe dar um retorno normalmente detalhado sobre o porquê de haver ou não interesse pelo seu produto. Eles são bem mais profissionais, atenciosos e organizados do que nós, o que revela a falta de interesse, falta de organização, de preocupação e o comodismo de algumas empresas brasileiras”.

 

Paulo, antes de mais nada, nos fale um pouco de você e de sua carreira.

A primeira coisa que veio à cabeça a meu respeito é a dificuldade de me concentrar quando isto é mandatório. Dificilmente, consigo ficar focado numa certa atividade ou conversa com outra pessoa, salvo se ela despertar muito, mas muito mesmo, meu interesse. Isto gera uma luta diária no lado profissional e nos relacionamentos, para estar realmente presente na vida e entender o que os outros estão falando comigo, sem ficar “viajando”. Não se trata de negligência, egoísmo imaturo, e não é algo que com o simples esforço pessoal resulte em melhoras significativas. Fiz várias tentativas, sem êxito. Cheguei a pensar que eu era “burro” mesmo, talvez “hiperativo”, pois sempre demorei mais do que a média para aprender e para memorizar coisas. Mas acabei concluindo não ser o caso.

Tenho certa facilidade para escrever e muita dificuldade para falar em público. Também tenho certeza de que sou portador de uma doença não catalogada pela medicina. Períodos, mesmo que médios, de leitura, vão me gerando progressivamente enjoo, cólicas, mal estar, dor de cabeça, e, se eu persistir, até calafrios e febre, e é preciso que eu esteja longe dos livros por alguns dias até que estes sintomas remitam plenamente. Já devo ter feito uns 10 tipos de tratamentos e nada. Aceitei, concluí que ninguém descreveu ainda esta doença. Só que isto atrapalhou minha vida desde pequeno, pois minha concentração sempre foi prejudicada por conta desses desconfortos físicos, somados aos pensamentos evasivos.

Quanto à carreira, sou formado em jornalismo pela Universidade de Taubaté e especialista em dependência química pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Já tive alguns trabalhos nessas áreas (assessoria de imprensa, auxiliar em centro de recuperação de dependentes químicos e depois supervisor de Censo pelo IBGE), mas o que nos últimos 3 anos realmente tem me dado prazer profissional e nenhum prazer financeiro (até agora) é a criação, solicitação da patente, negociação e busca pela comercialização de produtos no mercado através de parcerias com empresas já estabelecidas. Hoje 70% do meu trabalho é focado na criação e desenvolvimento de novos produtos e sua apresentação a empresas. Nos 30% restantes atuo com administração imobiliária.

 

Antes de entrarmos na área das invenções, eu gostaria de saber como é sua experiência no trabalho com dependentes químicos e qual a opinião que você tem sobre a liberação das drogas, sobretudo da maconha que anda em voga no país.

Esta pergunta é muito boa, mas mereceria um livro, de vários volumes! Tentando resumir: Tive experiência empírica e científica. O que tenho a dizer é que a ciência, apesar de alguns avanços, está de joelhos diante da dependência química e das dependências comportamentais (dependência sexual, de jogo, por comida, codependência, etc), que também são dependências químicas, só que endógenas (por substâncias produzidas pelo próprio organismo). Embora muitos dos profissionais que atuem nesse ramo tenham dificuldade de admitir isso, os resultados dos tratamentos são pífios e dependem muito mais da motivação e boa vontade dos portadores da doença para a mudança do que do próprio esforço dos profissionais. E o sucesso do tratamento depende muito da família do dependente! Estamos falando de uma doença que não é contagiosa, mas é contagiante. A cada dependente químico na família você pode somar, em média, mais 4 pessoas com perturbações emocionais, em função do dependente. Familiares nessa condição não ajudam, só atrapalham a recuperação do dependente. Tornam-se facilitadores permissivos, e privam o dependente das consequências de seus atos. Ninguém se recupera assim.

Os profissionais são como guias/mentores amorosos e firmes, mas não têm o poder de interferir nos resultados se o doente não seguir as orientações. O dependente tem de estabelecer metas e criar novos hábitos. E o crucial, estar disposto a pagar um preço (dor emocional) para que sua mente volte a ter um funcionamento semelhante ao de pessoas que nunca se tornaram dependentes (o que pode levar, em média, de 3 a 10 anos passados em abstinência, dependendo do nível de comprometimento e histórico do paciente). Como o cérebro e as substâncias que por ele transitam estão apenas começando a ser mais bem compreendidas, e os mecanismos genéticos e ambientais que contribuem para a aparição da doença ainda estão sendo destrinchados, não há tratamento milagroso. A psiquiatria oferece alguns medicamentos que atuam sobre a mente, mas não em vez da mente. Eles não regeneram certas conexões perdidas, tampouco substituem outras conexões/associações ruins que foram construídas na dependência. Então, em muitos casos que já pude observar, o sujeito fica chapado de remédio e não tem nem força para usar drogas ilegais ou álcool. Mas ele está usando drogas legais receitadas, é a única diferença.

Oferecer isso como tratamento para o ser humano é muito pouco, é uma baita falta de recurso, falta de conhecimento e comodismo de profissionais para os quais é mais fácil medicar a pessoa do que fazer um treinamento para lidar com o dependente e com os mecanismos de negação (o que demanda muito mais empenho, maturidade, aprendizado, raciocínio e empatia do profissional). Merecemos algo melhor, mas hoje é o que, em parte, a psiquiatria/medicina convencional oferece. Não estou dizendo que não haja casos em que seja necessário e fundamental o uso de certos medicamentos, mas o alerta que faço é da prescrição em demasia para o tratamento de uma doença muito mais complexa (por ser multifatorial) do que a mera reposição de um neurotransmissor como a serotonina, dopamina, etc.

Muitos tratamentos são feitos a partir de estudos e inferências superficiais. Por exemplo, mede-se o nível de serotonina no sangue do usuário de drogas crônico e vê que ele está baixo, então, manda serotonina goela abaixo nele (Paroxetina, Fluoxetina, etc) para ver se melhora. Trata-se de tremenda incompreensão, pois o déficit de serotonina é só a ponta do iceberg. O indivíduo pode ter tido todo um ambiente desfavorável na infância que moldou sua personalidade ao ponto de ele ter esse déficit. Então ele precisa se conhecer, falar sobre seus sentimentos, e traçar metas de mudança de comportamento para que seus pensamentos e emoções possam mudar. Muitos que usam os medicamentos não irão amadurecer, entrar em contato com traumas de infância. Só que quando o medicamento for retirado, os problemas emocionais voltarão e a possibilidade de uma recaída brusca idem. Mas prefiro repetir: há casos nos quais medicamentos são imprescindíveis.

A dependência química, na maior parte das pessoas, é crônica, progressiva e de desenlaces fatais, caso não seja estacionada. Uma vez dependente, sempre dependente, como na diabete. Mesmo sem consumir açúcar você continua sendo diabético. Isto é comum se dizer, pois a partir do momento em que se torna dependente, ocorre um processo de neuroadaptação, criando uma memória do prazer que a droga proporcionou nas primeiras experimentações e a estrutura mental da pessoa tende a ser alterada pelo resto da vida.O melhor tratamento é aquele em que o profissional desenvolva muito sua empatia, experiência, conhecimento e treinamento necessários para reverter o quadro de negação característico da doença. A maioria dos médicos e psicólogos não tem o menor entendimento da doença, salvo se se especializarem e se prepararem emocionalmente para tratar de um dependente. Basta olhar na grade curricular dos cursos de graduação da área da saúde, mal se fala disso, no máximo 4 horas abordando o assunto.

Quanto à liberação das drogas, em especial da maconha na forma fumada por usuários, só posso dizer que somos muito bons em dar um passo para frente e quatro para trás. Conseguimos criar várias restrições com o uso do tabaco, sabidamente conhecido pelos seus malefícios, gerando bons resultados na saúde pública. Mas temos a capacidade de discutir a possibilidade de liberação de uma substância que traz prejuízos iguais ou piores ao indivíduo. Há mitos como o de que “A maconha faz menos mal do que o tabaco”: Maconha irrita os pulmões, estimula os músculos cardíacos, dilata as pupilas, aumenta a pressão arterial, causa câncer de pulmão, dependência, síndrome amotivacional (pessoa não quer fazer nada, não tem objetivos, o lado profissional vai para o espaço). Também causa piora/aparecimento de doenças pulmonares obstrutivas crônicas, náusea crônica… Outro mito: “A maconha não é porta de entrada para outras drogas”. O que a ciência já comprovou: A possibilidade de galgar para o uso de cocaína é aumentada em 85% nos jovens que usaram maconha entre 12 e 17 anos de idade. Mais ainda: 60% dos adolescentes que usam maconha antes dos 15 anos vão usar cocaína.

O uso da maconha favorece o contato dos jovens com pessoas que usam e vendem não somente a maconha, mas também outras drogas. Com a liberação o acesso fica mais fácil, banalizado, sem o componente da ilegalidade que limita alguns jovens de experimentarem e estarem sujeitos ao desenvolvimento da dependência. Está se reduzindo o peso moral de se experimentar ou permanecer fumando a droga. Outro aspecto polêmico é o de se classificar drogas em “leves” (álcool, tabaco, maconha) e pesadas (cocaína, crack, etc). É preciso relativizar, pois para uma pessoa que desenvolve a dependência química, a sua droga de consumo é seu maior problema!

Se a maconha for liberada, no Brasil, especialmente, teremos aumento no número de acidentes de veículos, pois maconha fumada prejudica a percepção do tempo e do espaço, limita visão central e periférica para detectar sinais. Veremos muitas pessoas não enxergarem motoristas que pretendem ultrapassá-las ao lado, gente avançando em sinal vermelho, parando em sinal verde, não reconhecendo sinal característico de contramão e assim por diante. Também veremos aumento progressivo de mão-de-obra sem qualificação, pronta para ocupar apenas cargos que demandem baixo nível de raciocínio, menores responsabilidades, etc. Eu não tenho nada contra esses cargos, mas quando uma droga impede uma pessoa de se desenvolver profissionalmente e limita suas expectativas e sonhos de vida, não há como estar a favor disso.

Outro aspecto, para finalizar, sem esgotar: há evidencias suficientes de que a maconha produz em alguns usuários psicoses agudas, incluindo confusão mental, perda da memória recente, delírios e alucinações, podendo ainda precipitar o aparecimento de um quadro de esquizofrenia, mesmo em quem não tenha histórico familiar da doença. Ou seja, tem gente que nas primeiras vezes em que usar está sujeito ao desenvolvimento de esquizofrenia. Esta é a “droga natural” que tantos gostam de apregoar. Eu digo o seguinte: veneno de cobra também é natural, relâmpago na cabeça também é natural, e daí? É isso que a sociedade deseja para as próximas gerações? Ao invés de fortalecermos as instituições de segurança e de combate ao crime e ao narcotráfico usando as novas tecnologias, admitimos nossa suposta impotência e incompetência do Estado para resolver o problema e legalizamos um veneno. Mas que fique claro: estou falando da maconha fumada e não da substância/princípio ativo extraído/isolado da erva para fins medicinais excepcionalíssimos, quando outros medicamentos disponíveis para o tratamento de certas doenças falharem.

 

A sua capacidade de inventar surgiu em 2005, como foi que isso se sucedeu?

Exato, mas foi um processo. Àquela época, estava no terceiro ano de jornalismo. Tinha um blog e redigia artigos sobre os mais variados temas. Certa vez, postei um artigo intitulado “Obra-prima de borracha”, que destacava os benefícios de se trazer a galocha de volta ao mercado, dando-lhe novas feições e design, pelo benefício em evitar que nossos pés e calçados se molhassem durante as chuvas. Essa ideia surgiu depois de eu ter sido apresentado à galocha por um tio, o Toninho Gannam, que a trouxe de seu sítio. Estava bem acabada, mas trazendo benefícios que eu sempre achei que nossos calçados deveriam voltar a agregar. Creio que ali estava começando a nascer este verve inventivo. Anos mais tarde, sem exercer a profissão jornalística, o que eu mais fazia era tomar açaí na tigela nas horas vagas.

Tornei-me religioso apreciador do produto e passei a diferenciar os melhores dos piores açaís na tigela com grande perspicácia. Resolvi passar a fazer açaí na tigela em casa e fiquei mais ou menos um ano e meio aprimorando o produto e usando meus familiares de cobaias. Quis montar um negócio de açaí com base naquele creme que eu tinha conseguido fazer em casa com uma consistência dos deuses. Mas percebi que poderia agilizar o processo criando uma máquina que fizesse aquele creme sem exigir tanta destreza manual. Passei quase um ano com um técnico, tentando construir a máquina, mas o máximo que conseguimos foi sucessivas explosões da engenhoca. Assim, precisei abandonar a ideia, pois não tinha mais dinheiro para investir. Contudo, o benefício foi que, buscar alternativas para a criação e para o sistema desta máquina, com a simples imaginação, despertou muito minha mente para a sensibilidade inventiva. A partir de então, a “porteira se abriu” e não parei mais de ter ideias.

 

Você já tem 4 invenções que estão prontas para o processo de patentes, fale se possível de uma forma resumida, sobre cada uma delas.

Na verdade eu já pedi pelos direito de patente delas e já posso falar sobre elas abertamente, pois já saíram da fase confidencial. Para saber mais sobre elas é só entrar num site de busca que aparecem várias referências, como vídeos e releases sobre elas:

Sistema de Cooperação no Trânsito: É um aparelhinho eletrônico de comunicação instantânea que alerta, com frases curtas e objetivas, qualquer problema/situação identificável em um veículo ou nas estradas. A comunicação é feita pelos usuários de outro veículo que também disponha do aparelho e não depende de internet, cujo sinal é ruim em certos locais. Alguns exemplos de mensagens: luz de freio queimada, pneu murcho, luz de ré queimada, emergência, pessoa doente no carro, acidente/animal/deslizamento à frente, incêndios, chuva forte, etc. Também permitirá a comunicação entre órgãos de Governo e motoristas, campanhas de educação no trânsito, enfim, uma integração da comunicação, criando um clima amistoso e de espírito de ajuda pelo condicionamento.

Sensor lateral para proteger rodas e pneus junto ao meio-fio: um sensor que avisa o momento em que o condutor estiver próximo de encostar o pneu ou roda junto ao meio-fio, em qualquer tipo de movimento [com ou sem uso de marcha-ré]. Esse é uma “mão na roda”. Muito mais simples e barato que projetos complexos e caríssimos como o Park Assist e o Intellisafe. E atende a uma necessidade de modo mais completo, se comparado com retrovisores automáticos de ré.

Protetor de unhas para portadores de onicofagia (hábito de roer as unhas): É uma película que reveste as unhas do usuário de forma elegante e discreta, sem causar desconforto algum, pois cobre apenas as unhas sem incomodar o tato, e pode ser usada por homens e mulheres. Cerca de 19% a 45% da população, oscilando de acordo com a faixa etária, tem este hábito. Lixa para unhas três em uma: uma invenção concebida muito mais por minha cunhada do que por mim, ao observar os tipos de lixa disponíveis no mercado: Trata-se de um produto inédito no mercado, cuja extremidade é arredondada e fina. Suas funções consistem em uma parte para dar brilho e outra para lixar a superfície das unhas. Entre as pontas, no cabo dessa lixa, há uma superfície circular para lixar o contorno da unha com diversos graus de aspereza — espessura em sua circunferência, conforme preferência do usuário. Ela tem um formato anatômico que impede esfoliações na pele logo ao lado da cutícula.

Já tenho o protótipo físico do aparelho comunicador (pmv), e prova de conceito do sensor para rodas, feita recentemente em PIC e Arduino. Espero em algumas semanas já estar fazendo testes com o protetor de unhas.

 

Quais as principais dificuldades de ser um inventor no Brasil?

1- Não existe nenhum programa que apoie, no sentido exato desta palavra, o inventor independente, pessoa física, com recursos para que ele possa realizar um estudo de viabilidade técnica e econômica de seu projeto e desenvolvimento de um protótipo físico. O pessoal vive falando, “mas tem o Sebraetec, o Finep, a Fapemig”, etc. Na maioria das vezes, os programas de apoio são voltados apenas para empresas, pessoas jurídicas com CNPJ, como se o foco devesse estar em empresas e não na inovação e qualidade do projeto de que se está falando, que pode ajudar as pessoas e movimentar muito dinheiro. E quando algumas dessas instituições chegam a “apoiar” o inventor independente, se você sondar direito o programa, ele não se trata de apoio coisa nenhuma, e sim de um negócio como outro qualquer – e dos piores para o inventor. Exemplo: há fundações de amparo que, se julgarem sua invenção com bom potencial de mercado, arcam com os custos de depósito do pedido de patente e pela administração da sua patente, pagando pelas anuidades que hoje estão em torno de R$ 80,00 a R$ 100,00 ao ano, até que a carta-patente seja concedida (depois que a carta-patente é concedida as anuidades aumentam progressivamente a cada ano). Em troca de pagar por essas taxas de serviços impostas pelo INPI, fundações de amparo requisitam a cotitularidade da patente e direitos de participação comercial sobre a mesma. Ou seja, eles investem uma mixaria no seu projeto pagando por essas taxas, normalmente não te ajudam a divulgá-lo nem a mediá-lo numa eventual negociação; não te ajudam a desenvolver o protótipo nem a fazer um estudo de viabilidade comercial, e não têm nenhuma participação na concepção da ideia. Mas se seu invento milagrosamente gerar royalties pesados graças aos seus heroicos esforços, eles ficam com uma boa fatia do bolo.

Não consigo entender aonde a palavra “apoio” se encaixa nessa tratativa. Penso que quando você dá apoio à pessoa, não está fazendo negócios com ela. Quando você apoia uma pessoa idosa para que ela atravesse a rua, protegendo-a de possíveis acidentes, você está fazendo algo incondicionalmente por estar lidando com uma pessoa com limitações e dificuldades. Você está gratuitamente ajudando uma pessoa mais do que as outras porque ela precisa desse apoio adicional. Imagine você cobrando desproporcionalmente no futuro algo dessa pessoa pelo fato de tê-la “apoiado”. A analogia não é perfeita, mas se enquadra o bastante no caso. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual: Mais de 60 % de tudo o que foi inventado ou aperfeiçoado no mundo até hoje foi a partir de inventores autônomos. Outra estimativa aponta que menos de 3% de tudo o que é inventado no mundo consegue chegar ao mercado. No Brasil, não há a preocupação com uma boa ideia vinda de anônimos, pessoas físicas. Se você não está conveniado a um centro de pesquisa, universidade ou pessoa jurídica, não receberá um centavo do Governo e terá de trilhar um caminho solitário, pedregoso e quase sempre demorado até encontrar – se encontrar – um parceiro para seu projeto.

Às vezes você gasta anos com um projeto, e graças à falta de apoio para fazer com que você entenda se sua ideia é boa ou não, você fica na dependência de uma empresa que veja potencial em sua ideia e use capital de risco para validá-la. Conheço inventores de idade avançada que comentam terem perdido anos de sua vida, em função disso, pela falta de apoio financeiro para fazer um estudo comercial que confirmasse o potencial do produto ou que fizesse eles pivotarem, partirem para outro projeto ou mesmo para outra profissão. A frustração é muito grande e difícil de digerir nesses casos. A impressão é a de que você perdeu a sua vida iludido com um sonho e, de repente, tudo passou, você ficou velho e já está na hora de morrer. É muito triste isso e precisa mudar.

2 – O empresário brasileiro tem perfil mais conservador, gosta de retorno a curto e no máximo médio prazo e está com pouco capital de risco para investir. Uma nova ideia requer investimento em maquinário, desenvolvimento de modelos do produto, planejamento de marketing, e isso tudo faz a empresa sair do roteiro que estava planejado, podendo levar alguns anos até que de fato o produto seja lançado no mercado e traga o retorno desejado.

3 – Há empresas cuja política não admite a entrada de ideias vindas de fora por já possuírem departamentos fechados de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. O raciocínio do empresário é: “eu já pago para um empregado meu pesquisar e criar coisas novas, eu não vou “nem a pau” dividir meus lucros com um cara (inventor) que nunca vi na vida, mesmo que tenha criado uma coisa boa”. É compreensível o raciocínio, mas talvez uma ideia externa possa trazer melhores resultados que uma interna, pode fazer com que uma empresa cresça, expanda seus negócios, e enxugue seus próprios custos em manter um departamento de P&D. Por outro lado, há empresas que já se adaptaram à chamada Open Innovation, que é a possibilidade de a empresa trazer inovação e aumentar seus lucros com base em ideias oriundas de fora, aceitando que no mundo tem muitas cabeças pensantes e que ideias surgem a todo momento dentro ou fora dessas organizações.

 

O empresário brasileiro tem um perfil conservador, isso é um fato. Como você acredita que deveria ser implementada a cultura do capital de risco (quase inexistente em comparação a outra nações), para que inventores pudessem ter as suas ideias produzidas em larga escala?

Eu não vejo outra forma de mudar esta condição a não ser pelas próprias mãos de inventores e empreendedores. Eles precisam se profissionalizar, pois, por enquanto, não tem ninguém que irá ajudá-los. Se um inventor leva dados plausíveis de que seu projeto é viável, o mais conservador dos empresários pode lhe dar uma chance. Há uma fatia de empresários irrecuperáveis, é verdade, eles só querem ficar guardando o dinheiro que já ganham e não querem investir em mais nada. Atingiram patamar que lhe é satisfatório e ponto. Não querem ou nem tem tempo ou saco de ouvir mais nada. Acho que a cultura do capital de risco só pode ser implementada se ela de fato for comprovadamente eficaz em termos de retorno. Penso ser necessário mostrar ao empresário, estatisticamente, que empresas que possuem capital de risco para investir em novos produtos/negócios tendem a crescer mais do que as que não têm. Não conheço dados nesse sentido, mas se eles não existirem, não vejo razão para que o empresário faça isso. Mas de uma coisa eu sei: hoje inovar não é opção, é obrigação da empresa se ela pretende manter um negócio de longo prazo, sustentável.

Penso ainda que aumentar a cultura do capital de risco não é garantia de que ideias de inventores sejam levadas ao mercado. Se a ideia não for viável, não há capital de risco que consiga operar milagres. Mas, quando a ideia do inventor for viável, é muito barato um empresário fazer parceria com um inventor, principalmente se levarmos em conta a originalidade do projeto e exclusividade de produção e comercialização. E sem concorrência, se o projeto estiver blindado com a patente. Patente não salva ninguém de cópias, mas é uma boa forma de intimidar. Se não adiantasse nada, empresas não patenteariam seus produtos.

Primeiro Protótipo

Criações: Gannam mostra o seu primeiro protótipo físico do aparelho comunicador (pmv). Para o inventor, uma fatia da mídia só quer contar casos de startups que deram certo (Foto: Arquivo/Paulo Gannam)

 

Quando começamos um projeto, geralmente sempre têm aqueles que querem nos desanimar, e quase sempre são os mais próximos a nós que fazem esse papel nada agradável. Alguma pessoa querida, já chegou a dizer que tudo que você estava criando era uma loucura?

Minha família é composta, sobretudo, de profissionais liberais, funcionários públicos, e comerciantes. Portanto, começar a criar coisas, embora tenha despertado curiosidade inicial por parte deles, não gerou muito entusiasmo quanto à possibilidade de se ganhar dinheiro com isso. De fato, é um ramo que requer muita perseverança, flexibilidade, e uma boa dose de sorte. Mas meu pai, apesar de perfil mais conservador, creio ter sido o que me incentivou e apoiou, sobretudo na crença de que alguns desses projetos ainda vão sair do papel, cabendo a mim não criar expectativas, e ir trabalhando, sempre, e contatando empresas, sempre, deixando que os resultados venham ou não sem ficar sofrendo com isso. Tenho posto em mente que o que vale é a jornada e não a chegada, isso me ajuda a continuar e estar sempre aprimorando e alterando meus produtos se necessário para se adequarem ao mercado. De vez em quando cansa e traz desconforto tanta incerteza. Mas é a vida pela qual estou optando no momento.

Inveja, incompreensão e desconhecimento técnico do assunto levam algumas pessoas a serem amantes da crítica, quando diante de uma nova ideia. E, seja inventor autônomo, pessoa física, seja um empreendedor que está rumando à constituição de uma startup, é preciso ter faro para identificar quando é isso ou quando é outra coisa bem melhor: às vezes as pessoas metem o bedelho na sua ideia, mas é para ajudar, e você precisa ter os ouvidos bem abertos, sem ser rabugento e paranoico.

 

Em algum momento, você já pensou em ir para países com um maior Know-how e apetite pelo risco como, por exemplo, os EUA, para vender uma ideia?

Não me lembro de ter pensado nisso, porque mantenho atividades profissionais no Brasil que me dão a condição de manter minha vida andando. O que eu consigo fazer é estabelecer contato com empresas no exterior pela internet. Fico abismado de ver como as empresas sediadas no exterior e seus serviços de atendimento são muito mais eficientes para receber a sua solicitação, encaminhar seu projeto ao departamento competente e lhe dar um retorno normalmente detalhado sobre o porquê de haver ou não interesse pelo seu produto. Eles são bem mais profissionais, atenciosos e organizados do que nós, o que revela a falta de interesse, falta de organização, de preocupação e o comodismo de algumas empresas brasileiras.

Há outro aspecto que deve ser levado em conta quando uma pessoa possui uma ideia e a quer levar ao exterior: ou ela confia muito nas pessoas com as quais irá entrar em contato lá fora, ou ela assume o risco de ter sua ideia copiada. Tem mais: quem solicita patente apenas no Brasil e não internacionaliza sua patente não tem direitos de explorá-la com exclusividade no exterior. Daí vem mais barreiras, pois os custos de se patentear em cada um dos países lá fora são altíssimos, ainda mais para um inventor autônomo. Este é um tremendo entrave à inovação, não apenas no Brasil, mas no mundo. Você é depenado ($) por estar tentando ser inovador. Você está fazendo um favor ao Estado por estar criando algo que pode ajudar as pessoas, criar emprego, movimentar a economia, e paga por isso ao Estado….

 

O tratamento dado de um modo geral pela mídia aos inventores como você tem sido satisfatório, ou também vê dificuldades nesse ponto?

Há uma fatia da mídia que age como o mercado age. Ela só quer contar casos de sucesso, casos de startups que deram certo, que foram vendidas ou que cresceram. Acho estranho isso. Eu já me apresentei há alguns veículos de comunicação de grande porte e obtive mais ou menos isto como resposta: “Paulo, nosso foco é em matéria de casos de sucesso, em startups e produtos que deram certo. Você já tem algum produto no mercado? Onde está vendendo?”. É muito esquisito, pois o cara que deu certo merece sim a atenção da mídia, ele tem mérito, mas ele não precisa dessa atenção. Quem está precisando, quem está buscando apresentar seu trabalho e seu talento ainda não reconhecido são os anônimos que criam coisas, as desenvolvem, protegem sua patente e estão na luta por algum sucesso. Nesse sentido, eles precisam muito mais da ajuda da mídia do que os casos de sucesso. Só que dentro dos critérios de noticiabilidade parece ser mais consumível uma notícia que fale de algo de sucesso do que a história de alguém que está na luta, mas que ainda não conseguiu nada social e economicamente louvável.

Mas há o outro lado, eu conheci jornalistas e empresas de comunicação realmente solidários com a causa de inventores independentes. Que buscam com prazer realizar matérias ligadas ao assunto e apontar as revoltantes lacunas na Lei de “Inovação” e em outros códigos. Mas, de um modo geral, estou bastante satisfeito. Só deixo um alerta para os inventores: não basta você sentar no sofá e achar que o mundo irá ficar atrás de você para falar das suas invenções. Inventor também precisa aprender a ser marqueteiro de seu trabalho. Se não tiver grana, não precisa contratar assessoria de imprensa nem agência de publicidade, é só sentar na frente do computador, acessar a internet e pôr a mão na massa! Os resultados demoram, mas vêm, só que depois de muito trabalho.

 

Você tem 800 ideias cruas. Como alguém que queira conhecer e talvez investir em alguma delas pode ter acesso?

As cerca de 800 ideias que tenho estocadas ainda não foram bem descritas, desenvolvidas nem, se oportuno, patenteadas. O investidor poderá ter acesso a elas mediante assinatura de um termo de confidencialidade, no qual se garante que as ideias que serão trocadas entre as partes ficarão ali mesmo, conferindo segurança e sigilo ao bate papo. É um modelo quase impossível de acontecer hoje, pois o investidor não quer problema, não quer ideia crua, quer solução. Você tem que estar com tudo pronto para apresentar o projeto nos moldes que ele deseja, ou seja, com o projeto blindado com a patente, com um protótipo físico fresquinho e, preferencialmente, estudos de viabilidade econômica e pesquisa de mercado que validem a ideia proposta.

Você imagine o que isso significa para uma pessoa simples, sem formação na área, que teve uma ideia excelente de um novo produto /serviço. Só que ela não tem a menor condição de alavancar o projeto, e vem um investidor e pede para ela todos estes itens. Ela vai ficar “babando”, sem saber o que fazer, e falar “mas hein?”. Por isso insisto na questão do descaso dos governos das diversas esferas e na necessidade de a lei ser alterada urgentemente em nosso favor.

Mas supondo que um investidor bem “maluco-mente-aberta” goste de alguma ideia, um conceito proposto, após assinatura do NDA.

Para os inventos que já estão com patente requerida no INPI, o meu objetivo é o licenciamento. Não pretendo constituir startup, não dá tempo! É muito projeto na cabeça e trabalho praticamente sozinho. O licenciamento dá ao fabricante exclusividade em seu ramo de atuação, maior valor agregado, livre de concorrência, valorização do patrimônio intangível de sua empresa e até 20 anos de direito de exploração industrial/comercial do produto. Quanto às demais 800 ideias cruas, o que tenho a dizer é: eu sou inventor, e o que vem à minha mente é aleatório, não tem crivo, o único crivo é uma aparente necessidade identificada para a qual ainda não foi criado produto específico. Mas isso hoje está longe de ser o bastante. A cultura predominante, sobretudo no ramo de administração e empreendedorismo, ainda que com a qual eu não concorde totalmente, é: Uma grande ideia não é de quem a tem, mas principalmente, de quem consegue colocá-la em prática. Muitas e muitas ideias já foram pensadas, mas o porquê ninguém deu continuidade é o X da questão! Infelizmente, a maioria de instituições públicas e privadas de algum modo relacionadas a inventores autônomos só sabem onerá-lo, mas não o alertam para as dificuldades do mercado. Com eu já disse, muito inventores autônomos não tem formação na área de administração, sequer tiveram contato com literaturas sobre empreendedorismo. Eles têm uma ideia, protegem-na via patente, mas não tem o menor alcance para saber se sua ideia é realmente viável técnica e economicamente. E para se chegar a essa conclusão, haja pesquisa e contato com possíveis clientes, modificações e adaptações no projeto até se chegar, quem sabe, ao produto final.

Ter uma mera patente de uma ideia hoje, em certos casos, só serve para algo de grande tecnologia, do contrário pode ser jogar dinheiro fora!

Temos leis muito ruins para inventores, fiscalizações ineficazes e outros países agressivos comercialmente e muito mais competentes em produção industrial do que o Brasil. É comum inventores autônomos e empreendedores “quase se matarem” para criar um produto e assistir a alguém de fora produzir zilhões de peças a um custo baixíssimo, invadir o mercado, saturá-lo e depois desaparecer do mapa! E aí o inventor/empreendedor vai processar quem? Quem foi que vendeu? Vai ter dinheiro para disputar uma contenda judicial cara contra empresa que tem ativos de milhões/bilhões? Leia-se o caso do brasileiro que inventou o bina.

Todas as ideias conceituais que partem de uma teoria ou conceito levam muito tempo para serem aplicadas. A maioria é engavetada pela necessidade de estudos, impactos, laudos sobre resultados e mais um monte de variáveis que demandam investimento pesado! Os inventores precisam saber disso para se profissionalizar, se não vão gastar toda uma vida, dinheiro e esforços num sonho que não irá se realizar. A regra é que a coisa tem que estar andando, já existindo para ser vendida. Eu sugiro aos inventores, antes de conversar ou pagar alguém para fazer uma patente ou qualquer outro tipo de estudo, que deem uma estudada nos conceitos de “Startup Enxuta”, “Inovação de Valor” e “Modelo de negócio”.

Para finalizar, uma provocação: se Thomas Edison e Nikola Tesla fossem brasileiros, poderíamos estar ainda no escuro?

Acho que não tenho alcance para responder a contento a esta pergunta, mas penso que essas pessoas de inteligência e talento notáveis fizeram história e tiveram mais sucesso econômico (sobretudo T. Edson) não somente pelo local possivelmente mais propício para criar, desenvolver e comercializar suas invenções. Elas conseguiram reunir habilidades que poucas pessoas têm sozinhas: eram seres ao mesmo tempo muito racionais e com uma imaginação sem limites. Tinham ainda o que chamamos hoje de visão empreendedora, pensamento visual, estavam longe das convenções, tinham alto conhecimento técnico para desenvolvimento de algumas de suas próprias ideias, e coragem para perseverar naquilo que estavam fazendo. Davam sentido à própria vida por meio da criação. Eu arriscaria dizer que não, não estaríamos no escuro.

http://www.panoramamercantil.com.br/ser-inventor-autonomo-nao-e-brinquedo-paulo-gannam-jornalista-especialista-em-dependencia-quimica-e-inventor/

Heróis da Marvel viram marcas valiosas nas mãos da Disney

São Paulo – O bilionário empresário Tony Stark, mais conhecido como Homem de Ferro, pede ajuda ao cientista Bruce Banner — o incrível Hulk — para criar um robô capaz de assegurar a paz mundial. O plano acaba mal. O robô se corrompe, decide aniquilar a humanidade e vira o vilão da história.

A trama é ponto de partida do filme Vingadores: Era de Ultron. Nos cinemas brasileiros desde 23 de abril, o filme atraiu 2,4 milhões de pessoas nos primeiros quatro dias do lançamento — a maior estreia em público da história no país. A produção de Vingadores 2 custou 250 milhões de dólares. Sua estreia nos cinemas de todo o mundo arrecadou 392,5 milhões de dólares — o quinto maior lançamento global (e o segundo registrado nos Estados Unidos).

Os resultados são o ápice de uma reestruturação iniciada há uma década. Fundada em 1939 como editora de histórias em quadrinhos, a Marvel viveu anos de ouro entre as décadas de 60 e 80. Em meados dos 90, uma série de acordos malsucedidos a afundou em dívidas. As ações, que valiam 35 dólares em 1993, passaram a custar pouco mais de 2 dólares três anos depois.

Para sair do sufoco, a Marvel vendeu ativos preciosos. A americana Fox levou os direitos sobre a legião de X-Men para o cinema em 2000. A japonesa Sony ficou com os do Homem-Aranha, lançando o filme em 2002. Só em 2005, com um empréstimo de 525 milhões de dólares, a empresa montou o próprio estúdio de gravações.

O primeiro filme da nova fase, Homem de Ferro, estreou em 2008. O faturamento com ingressos superou quatro vezes o custo de produção. Os números atraíram a atenção da Disney, que comprou a Marvel por 4,2 bilhões de dólares no ano seguinte. A partir daí, o portfólio de 5 000 personagens passou a ser revisto como um conjunto de marcas adormecidas capazes de render bilhões.

De lá para cá, 11 produções já faturaram mais de 7 bilhões de dólares em bilheteria. Além do cinema, a empresa mantém o interesse dos fãs com seriados. O Demolidor, produzido em conjunto com a empresa de filmes e séries pela internet Netflix, alcançou um público de 4,4 milhões de espectadores — 30% maior do que o sucesso House of Cards. Tudo isso alimenta um próspero filão de licenciamentos.

Em aquisições de grande porte, é comum que a compradora faça mudanças na gestão da companhia adquirida. Com a Marvel, a Disney fez o contrário — manteve a sede em Nova York e os principais diretores, como Kevin Feige, presidente da empresa desde 2007. “Isso ajudou a manter a fidelidade à essência de personagens nascidos há mais de 50 anos”, diz Sean Howe, autor do livro Marvel Comics — A História Secreta, publicado no Brasil em 2013.

A arquirrival DC Comics, pertencente ao grupo Time Warner desde 1968, caiu nessa armadilha anos antes. O roteiro de cada filme, como Batman, Super-Homem e Lanterna Verde, foi entregue a diferentes produtores, que têm permissão da Warner para mudar traços das histórias originais — o que enfureceu os fãs mais fiéis.

Para atrair aficionados de diferentes faixas etárias, a Disney buscou acordos de licenciamento pouco convencionais. Além de brinquedos, jogos e roupas para crianças, a empresa mirou o público adulto. A fabricante de bens de consumo Procter&Gamble produziu pela primeira vez um comercial de TV inspirado no roteiro de um filme.

No dia 9 de abril, lançou em todos os países onde atua um anúncio cujo mote é uma joint venture fictícia da marca Gillette com a Stark Industries, empresa do Homem de Ferro, para lançar quatro lâminas de barbear com os mesmos superpoderes dos heróis de Vingadores. “É uma maneira de estender o vínculo entre a marca e o filme, em vez de simplesmente estampar os personagens na embalagem”, diz Rodrigo Puga, analista da consultoria de marketing TopBrands.

A companhia de tecnologia Samsung também gravou comerciais usando como base o enredo do filme. A empresa criou três produtos especialmente para o filme: uma versão mais moderna de seu relógio inteligente, um celular transparente e um fone Blue­tooth menor do que os tradicionais. Todos aparecem na trama, mas nenhum deles está disponível para venda — são produtos-conceito.

Desde abril, a companhia montou exposições desses produtos em 13 shoppings em quatro países, um deles em São Paulo. “A parceria extrapola a simples inserção do produto em alguma cena e deve ser duradoura”, diz Ricardo Barbosa, diretor de marketing e planejamento da Samsung no Brasil.

Novos públicos

Nos próximos meses, as mulheres estão no centro dos planos de segmentação da Marvel. Em Vingadores 1, lançado em 2012, elas representaram 40% da au­diên­cia nos cinemas. Um time só de heroínas, como a Mulher-Hulk e a Medusa, protagoniza a recém-lançada história em quadrinhos A-Force (algo como Força-A). As personagens já existiam, mas pela primeira vez formam uma equipe totalmente feminina.

Outra frente de expansão é tirar do baú personagens menos populares. Neste ano, a Marvel estreia o primeiro longa do Homem-Formiga, herói capaz de encolher mantendo uma força incomum. No total, a empresa deverá lançar dez filmes até 2019. O último previsto será uma trama com os Inumanos, legião de heróis menos conhecidos, como Karnak, mestre de artes marciais.

A Disney também espera usar a força adquirida com a Marvel para renegociar os direitos de heróis famosos, vendidos anos atrás. Em 2014, a empresa montou uma joint venture com a Sony para explorar o Homem-Aranha numa nova trilogia.

Diante da tentativa frustrada de fechar algo semelhante com a Fox, detentora do X-Men para o cinema, a Disney colocou os personagens na geladeira em suas HQs. Diminuiu a frequência das revistas e ameaçou exilá-los em outro planeta. Pelo que se vê, a empresa parece disposta a usar seus superpoderes para multiplicar fãs e gerar bilhões.

fonte

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1090/noticias/herois-da-marvel-viram-marcas-valiosas-nas-maos-da-disney