5 produtos inovadores criados por mulheres inventoras

De uma ideia simples, pode nascer um produto inovador. Isso é o que provam iniciativas de empreendedoras que contam com o apoio da Associação Nacional dos Inventores.

A associação foi fundada em 1992 pelo especialista em marketing Carlos Mazzei e presta serviços para inventores na área de preparação de documentos de patentes, busca por investidores, análise de preços, assessoria de imprensa entre outros. A associação coordena, inclusive, um programa na TV aberta e o Museu das Invenções, que ajudam a divulgar ideias inovadoras.

Confira aqui algumas delas, pensadas exclusivamente por mulheres que identificaram soluções práticas para lidar com problemas do dia a dia:

1. Cinto para adequar postura. Márcia Alexandra Braz desenvolveu o “cinto ergonômico”, responsável por corrigir problemas de postura que comprometem a coluna de quem trabalha várias horas sentado. O equipamento pode ser ajustado de acordo com a estatura de cada pessoa e não reduz a mobilidade para executar tarefas simples do dia a dia em qualquer escritório.

2. Persiana-luminária. Idealizada pela designer Janaina Ramos Carneiro, a ideia desse produto nada convencional é funcionar de forma decorativa e sustentável. Equipada com células fotovoltaicas, a persiana bloqueia a entrada de luz durante o dia e ilumina o ambiente interno durante a noite. Apelidada de “EcoBlackout”, a cortina pode ser recoberta com material que funciona como uma espécie de tela onde é possível reproduzir imagens.

3. Prato dieta. Criado por Gisele Emerick Pereira, o “prato dieta” é dividido em três grandes áreas de diferentes tamanhos. Pensado para balancear a alimentação, ele traz indicações para ser preenchido com ¼ de carboidratos, ¼ proteínas e o equivalente a metade do prato com alimentos de origem vegetal. A ideia é estimular o usuário a alimentar-se de maneira saudável.

4. Maiokini.  Com um zíper colocado na altura do busto e outro na cintura, o invento permite que a mulher tenha à mão não só um maiô, mas também um biquíni. A ideia da inventora Mary Zilda foi conciliar as necessidades de quem pratica esportes aquáticos, por exemplo, mas gosta de se bronzear em dias de sol.

5. Necessaire íntima. Desenhado tanto para homens quanto para mulheres, o invento visa transformar peças íntimas em pequenas bolsas apropriadas para guardar dinheiro e documentos. A iniciativa é da empreendedora Toshico Watari e tem o objetivo de reduzir a preocupação dos usuários com roubos ou furtos quando estes se deslocam para lugares muito movimentados.

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http://www.webmoment.com.br/site/empreendedorismo/5-produtos-inovadores-criados-por-mulheres-inventoras/

13 Acessórios de mesa que você compraria agora mesmo

1 – Microondas de mesa

Muita coisa pra fazer? Agora você pode comer uma comida quentinha sem sair do escritório!

 

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2 – Travesseiro portátil com privacidade total

 

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3 – Travesseiro de fichário

 

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4 – Porta-copo com presilha para mesa

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5 – Redinha ajustável para os pés

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6 – Aquecedor de café USB

Café quente o tempo inteiro!

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7 – Espelho retrovisor para computador

Saiba tudo o que acontece ao seu redor!

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8 – Aspirador de teclado

Nunca mais deixe o seu teclado sujo por muito tempo.

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9 – Mini-impressora que imprime apenas o necessário

Não desperdice papel, imprima apenas aquilo que você realmente for utilizar.

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10 – USB de tulipas

 

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11 – Utilitários variados

Um belo conjunto com calculadora, hub usb, grampeador, etc.

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12 – Organizador modular

 

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13 – Bloco de notas de sushi

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Casos de Patente que vão para Brasília

A delicada jurisprudência sobre as disputas de patentes farmacêuticas nos tribunais cariocas, principalmente àquelas concedidas sob o regime pipeline, está aos poucos se tornando favorável ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O trabalho de convencimento da procuradoria da autarquia deu resultados e o cunho social da questão começou a ser levado mais em consideração por juízes e desembargadores do Rio de Janeiro. Os advogados das empresas farmacêuticas não perderam tempo e uma nova estratégia começou a ser usada: os casos estão sendo levados para Brasília.

A estratégia tem força porque legalmente o foro do INPI é Brasília. E na capital federal tem sido mais fácil conseguir liminares até que as discussões sejam travadas nos tribunais superiores. Além disso, em Brasília não existem procuradores do INPI, portanto, mais especializados. São somente os procuradores-gerais que podem fazer a representação judicial. Como a sede física do Instituto está no Rio, há anos os casos acabam todos na Justiça carioca. Não é à toa que somente no Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, que atende o Estado, existam hoje turmas especializadas em Propriedade Intelectual. A Justiça de primeira instância não fica atrás e há inúmeras varas especializadas no Rio.

O advogado Otto Licks, do escritório Monsem, Leonardos, já conseguiu levar dois importantes casos para Brasília. Se amparou na Lei nº 5.648, de 1970, que criou o INPI. “Fica criado o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), autarquia federal, vinculada ao Ministério da Indústria e do Comércio, com sede e foro no Distrito Federal”. Também o Decreto nº 5.147, de 2004, fala em sede e foro no Distrito Federal. E mais recentemente, uma portaria do Ministério do Desenvolvimento também atesta a mesma coisa; o INPI com base na Lei nº 5.648 tem sede e foro na capital federal.

Nos dois casos, Licks conseguiu liminares. Uma das discussões é sobre o pedido de extensão do prazo de patente pipeline – ou um pedido de revisão do prazo de validade, como prefere o advogado – de um remédio de incontinência urinária, cuja ação teve entrada diretamente em Brasília. No Rio, a primeira instância e o próprio tribunal não têm concedido tão facilmente tais liminares no caso de patentes pipelines – revalidação de patentes farmacêuticas concedidas em outros países feita no período de transição de leis.

A outra discussão é sobre um procedimento administrativo de nulidade de patente, este mais polêmico. O procurador-geral do INPI, Mauro Maia, adverte para o fato de existirem dois pedidos muito similares, cuja diferença estaria apenas no fato de que a União é parte no caso que corre no Distrito Federal. Tanto no Rio, quanto em Brasília, os dois processos discutem o mesmo procedimento administrativo. Mas Licks garante que são dois casos diferentes.

Os procedimentos de nulidade são encaminhados ao INPI geralmente por terceiros, que alegam os mais diferentes motivos para tentar que uma patente seja considerada nula e caia em domínio público. Licks, que advoga para a empresa farmacêutica na questão, entrou com uma ação cautelar no Rio assim que o procedimento administrativo foi aberto. Mas a cautelar não foi concedida. “Mas temos uma ação ordinária sobre o caso no Rio”, diz Licks. “É um processo clássico de nulidade de patente”.

Em Brasília, a discussão é diferente porque o advogado alegou que o funcionário do INPI que estava tratando da questão não tinha a competência exigida pelo próprio regimento interno do Instituto. Resultado: este procedimento administrativo de nulidade está suspenso até que haja uma decisão final. “A grande diferença para o caso no Rio, é que se tivéssemos conseguido a cautelar naquele foro, ninguém mais poderia entrar com nenhum outro procedimento de nulidade”, diz Licks.

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http://www.markcafe.com.br/economia-cafeeira/marcas-e-patentes/651-casos_de_patentes_vao_para_brasilia

É possível patentear uma ideia?

Veja o que não pode ser registrado

Apesar do desejo de nossos clientes e da necessidade muitas vezes vital para seus negócios, há coisas que não podem ser registradas nem patenteadas, por determinação da legislação vigente, simplesmente não há proteção legal para elas. Abaixo seguem trechos das legislações pertinentes que evidenciam aquilo que NÃO PODE SER PROTEGIDO, sugerimos uma leitura atenta ao conteúdo para maiores esclarecimentos (os textos são bem longos):

Não pode ser MARCA:

LEI N. 9.279 DE 14 DE MAIO DE 1996 – Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial.

Art. 124 – Não são registráveis como marca:

I – brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;

II – letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva;

III – expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração;

IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público;

V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos;

VI – sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço , quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva;

VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda;

VIII – cores e suas denominações , salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo;

IX – indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica;

X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina;

XI – reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza;

XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no Art. 154;

XIII – nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, Artístico, cultural, social, político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como a imitação suscetível de criar confusão , salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento;

XIV – reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país;

XV – nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores;

XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome Artístico singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores;

XVII – obra literária, Artística ou científica, assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação, salvo com consentimento do autor ou titular;

XVIII – termo técnico usado na indústria, na ciência e na Arte, que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir;

XIX – reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia;

XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem de suficiente forma distintiva;

XXI – a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico;

XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro; e

XXIII – sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia.

 

 

Não pode ser PATENTE:

LEI N. 9.279 DE 14 DE MAIO DE 1996 – Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial.

Art. 10 – Não se considera invenção nem modelo de utilidade:

I – descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos;

II – concepções puramente abstratas; (ideias)

III – esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização;

IV – as obras literárias, arquitetônicas, Artísticas e científicas ou qualquer criação estética;

V – programas de computador em si;

VI – apresentação de informações;

VII – regras de jogo;

VIII – técnicas e métodos operatórios, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e

IX – o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.

Não pode ser DIREITO AUTORAL:

LEI N.º 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998

Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.

Dentre os vários tipos de obras elencadas pelo legislador temos:

As idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais; os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios; os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer tipo de informação, científica ou não, e suas instruções; os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais e demais atos oficiais; as informações de uso comum tais como calendários, agendas, cadastros ou legendas; os nomes e títulos isolados; o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras.

As ideias são protegidas pelo Direito Autoral?

Não. É fundamental precisar que o Direito Autoral não protege as ideias de forma isolada, mas sim e tão-somente a forma de expressão da obra intelectual; isto que dizer: a forma de um trabalho literário ou científico é o texto escrito; da obra oral, a palavra; da obra musical, o som; e da obra de arte figurativa, o desenho, a cor e o volume, etc.

Assim, se duas obras, sob formas de expressão diversas, contêm a mesma idéia, segue-se que nenhuma poderá ser havida como plágio da outra.

Tão somente porque a forma de expressão é diversa?

Não. Mas porque a idéia é comum, pertencendo a todos, não pertence exclusivamente aos autores das obras em conflito. Com efeito, as idéias pertencem ao patrimônio comum da humanidade. Já se pensou em que insuportável Idade Média estaríamos mergulhados, se ao homem fosse dado ter o monopólio das idéias?

A livre circulação das idéias é, portanto, um imperativo do progresso da humanidade, o que não precisa ser demonstrado.

 

 

REGISTRO DE IDEIA – JURISPRUDÊNCIA

Uso de ideia alheia não configura violação de direito autoral

 

A 3ª Turma do STJ, por unanimidade, manteve decisão que não acolheu o pedido de reparação proposto pela empresa Mostaert – Publicidade e Promoções Ltda. Contra o Banco Bradesco S/A, por Indevida utilização de obra intelectual.

Segundo a empresa, o Bradesco apropriou-se de sua idéia – um projeto de captação compulsória por um prazo de 12 meses, mediante compras efetuadas pelo cartão ‘Poupe Card’ –, ao implantar o sistema de captação de poupança 12 anos, após a apresentação de seu projeto, sem nada lhe pagar.

Em primeira instância, o pedido não foi acolhido. A empresa apelou, e o TJ do Rio de Janeiro manteve a sentença, entendendo que, “embora sejam criações do espírito, as idéias não ensejam direitos de propriedade ou de exclusividade. Em conseqüência, o fato de alguém utilizar idéia desenvolvida por outrem, por si só, não constituindo violação das regras de direito autoral, não configura ato ilícito, que dá origem ao direito de indenização”, decidiu.

No STJ, a empresa sustentou violação dos artigos 122 combinado com o 130 da Lei nº 5.988/1973 (Estatuto dos Direitos Autorais); 7º, inciso I, da Lei nº 9.610/1998 e 186 do Código Civil. Afirmou, ainda, que houve equívoco ao considerar a sua idéia como ‘vulgar’, quando, na verdade, cuida-se de ‘idéia exteriorizada’, portanto protegida pelo direito autoral.

Ao decidir, o relator, ministro Castro Filho, destacou que o tribunal estadual entendeu não haver nos autos qualquer prova de que a idéia do autor se exteriorizou, portanto não está protegida pela legislação autoral. Rever esse posicionamento, disse o ministro, é inviável no âmbito do recurso especial, razão pela qual deve-se aplicar o enunciado da Súmula 7 do STJ. (Resp nº 661022 – com informações do STJ).

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INPI negocia acordos internacionais de exames de marcas e patentes

Para dar mais celeridade ao processo de registro de marcas e patentes, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) tem dialogado com outros escritórios de propriedade intelectual nas Américas e demais países do bloco Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul).

Enquanto espera a contratação de novos examinadores, o instituto visa, por meio dos acordos, abreviar os processos de exame, com aproveitamento entre países parceiros, eliminando a duplicidade de processos.

“Ao se examinar uma patente depositada em outro país do grupo e requerida no Brasil, o processo pode ser acelerado aqui. Vamos conseguir, de forma síncrona, avaliar o exame de outro país ao mesmo tempo e chegar a um resultado comum mais robusto, de negativa ou concessão”, disse Julio César Castelo Branco Reis Moreira, diretor de patentes do INPI.

Veja aqui: Integração entre as políticas de desenvolvimento tecnológico e de comércio exterior são via para acelerar inovação no Brasil

O processo de integração entre os escritórios de marcas e patentes está mais avançado na América do Sul, mas o Brasil segue conversando com os Brics e também os Estados Unidos. Moreira foi o representante do INPI no debate “Inovação e a Competitividade Brasileira”, realizado em 16/08 pela Amcham-São Paulo.

Leia abaixo a entrevista de Moreira ao site da Amcham, após o seminário:

Amcham: Como está a negociação de novos acordos internacionais de PPH [Patents Prosecution Highway, sistema de fast track idealizado pelo Escritório de Marcas e Patentes dos EUA – USPTO – para dar agilidade ao exame dos pedidos de registro de patentes por escritórios de países associados]?

Julio Moreira: A grande dificuldade que temos para implantar o PPH é a questão política. Tecnicamente falando, não temos impedimentos em celebrar acordos desse tipo. Estamos procurando criar outros mecanismos [para agilizar o exame de marcas e patentes] e um deles é um acordo de colaboração no hemisfério sul. No início de agosto, em Brasília, assinamos um memorando de entendimento entre 40 países do eixo sul – América Latina, Ásia e Caribe – para operar de forma mais efetiva em termos de propriedade intelectual. Inclusive o cônsul para a América Latina de Direitos de Propriedade Intelectual do Consulado Geral dos Estados Unidos, Albert Keyack, esteve presente, como observador.

Veja aqui: Sistema ágil de concessão de patentes é essencial ao desenvolvimento da inovação

Amcham: Como estão evoluindo as conversas para um acordo comum de exames entre os escritórios de patentes da América do Sul?

Julio Moreira: Estamos trabalhando não apenas na região sul, mas também na criação de um grupo de propriedade intelectual entre os Brics. De efetivo, estamos trabalhando em conjunto com o Prosur, grupo de nove países [Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname e Uruguai] para tratar de política de propriedade intelectual de forma geral [o Prosur surgiu para ampliar a  agilidade dos serviços desses escritórios na região].

Amcham: Em que consiste o trabalho conjunto?

Julio Moreira: No escritório brasileiro, criamos uma ferramenta eletrônica que serve para o exame colaborativo, e é acessada pela internet. Diferentes escritórios em diferentes tempos podem examinar um pedido, e isso hoje é realidade. Temos a Argentina, onde 100% de seus examinadores usam o sistema brasileiro, assim como Colômbia e Paraguai. Já Uruguai, Chile e Peru estão começando agora. O Brasil também cadastrou todos os seus examinadores e vamos criar uma linha rápida através desse sistema. Ao se examinar uma patente depositada em outro país do grupo e requerida no Brasil, o processo pode ser acelerado aqui. Vamos conseguir, de forma síncrona, avaliar o exame de outro país ao mesmo tempo e chegar a um resultado comum mais robusto, de negativa ou concessão.

Amcham: Quais as atribuições do Prosur?

Julio Moreira: A cooperação não se restringirá ao exame de patentes, mas abrangerá também marcas e indicação geográfica [delimitação de uma área, restringindo o uso aos produtores locais]. Em um exame colaborativo simultâneo, hoje a maioria dos processos de colaboração é feita de forma assíncrona. Inicialmente, um país examina e o segundo se aproveita ou não do trabalho do primeiro. Isso é muito desgastante, pois é uma via de mão única.

Amcham: Como assim?

Julio Moreira: O primeiro país tem todo o esforço e o segundo se aproveita disso. Aí vêm o terceiro e o quarto, que se utilizam dos esforços dos anteriores. Trata-se de um processo muito egoísta. O que propomos hoje é fazer o exame colaborativo síncrono, um objetivo que queremos negociar com o Japão e os EUA. É um exame simultâneo entre o examinador brasileiro e o americano pegando o mesmo pedido de patente e examinando simultaneamente, chegando a uma decisão conjunta. Para nós, isso leva a uma melhoria da qualidade do que está sendo gerado e uma garantia para o depositante de que a patente concedida nos EUA também será registrada no Brasil.

Veja aqui: Respeito à propriedade intelectual é chave para desenvolver empregos de alto valor agregado e empreendedorismo

Amcham: E quanto às negociações com o Brics?

Julio Moreira: Iniciamos as discussões, mas de modo geral o processo está bem incipiente. Com a África do Sul, firmamos um acordo para ajudar a instalar um escritório de patentes no fim de agosto. Pela primeira vez, eles vão começar a examinar patentes de invenção porque até aqui só validam. Nossa dificuldade é identificar as contrapartes na China e na Índia para começar os contatos de cooperação. Ainda não fomos efetivos nesse ponto, mas acreditamos que isso vá ocorrer em algum momento.

Amcham: O sr. mencionou que o Brasil vai ajudar a África do Sul a montar um escritório próprio de marcas e patentes…

Julio Moreira: Até este momento, a África do Sul só valida patentes. Com a capacidade gigantesca que tem a China, permitir que um país aceite sem um crivo interno a patente de determinado outro país [como a China] significa reserva de mercado [para esse país] e a diminuição da capacidade do Brasil de produzir tecnologia e colocá-la no mercado mundial.

Amcham: No debate, alguns representantes de governo e empresariado sugeriram uma aproximação entre as entidades relacionadas a inovação. Como isso pode acontecer em um futuro próximo?

Julio Moreira: Não temos outra opção que não seja fazer isso ocorrer, e o INPI trabalha diariamente nesse objetivo. Em parceria com o Movimento Empresarial pela Inovação (MEI) e parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e os estados de São Paulo e Rio de Janeiro – principalmente este -, temos investido em levar a cultura da propriedade intelectual e a disseminação da importância de proteção dos ativos intangíveis para as empresas e os estados, além de fazer chegar esse conceito às escolas técnicas. Temos que levar a cultura de inovação ao berço, como o Japão faz.

Amcham: Como isso poderia ser feito?

Julio Moreira: Trata-se de levar a propriedade intelectual às escolas primárias. Começamos na universidade, estamos atingindo as escolas técnicas e o passo seguinte é atingir a educação fundamental e a secundária. Com isso, cria-se a cultura da propriedade intelectual. O passo seguinte é incutir nas pequenas e médias empresas o espírito de proteger o que elas criam. Atualmente, elas produzem tecnologia e não se protegem, então temos que mostrar que sua capacidade de crescer aumentará muito se elas cuidarem de suas inovações. Num segundo momento, queremos levar essa tecnologia criada para fora do País.

Veja aqui: Com filmes para o Concurso Vídeo Legal, alunos aprenderam na prática a importância de se respeitar a propriedade intelectual

 

fonte

http://www.amcham.com.br/inovacao/noticias/inpi-negocia-acordos-internacionais-de-exames-de-marcas-e-patentes-e-trabalha-a-conscientizacao-da-cultura-de-inovacao-diz-diretor-de-patentes-do-instituto